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Marisa Matias critica aproximação de Costa à direita liberal

Candidata bloquista esteve em Braga nesta terça-feira, com comício marcado para a noite. Na cidade o Bloco de Esquerda andou de porta em porta a apelar ao voto.

LUSA/PAULO CUNHA

A cidade sem portas recebeu Marisa Matias ao final da tarde desta terça-feira para ouvir a cabeça de lista do Bloco ao Parlamento Europeu falar do exemplo português em Bruxelas. A candidata do BE percorreu as ruas de Braga, onde criticou a forma como está a ser gerida a saída do Reino Unido e “as duas caras” do primeiro-ministro António Costa, que acusa de se estar a “aproximar à direita liberal" nesta campanha.

Com encontro marcado no Arco da Porta Nova, um dos pontos mais conhecidos da cidade bracarense, a comitiva bloquista subiu até à Sé de Braga, à procura da proverbial hospitalidade da cidade, guiada por duas gaitas-de-foles e dois tambores que marcaram o ritmo dos apoiantes do Bloco de Esquerda.

Apesar do ritmo animado que marcou a tarde, com o apelo ao voto de porta em porta, a candidata deixou notas menos positivas sobre a campanha do PS. “Portugal está a ser um exemplo para toda a União Europeia, porque mostrou que através do aumento de salários, de pensões e de combate à precariedade se consegue consolidar as contas públicas e trazer melhor vida para as pessoas e melhores resultados”, começou por elogiar. “É por isso é com alguma preocupação que vejo, durante esta campanha, a aproximação de António Costa à direita liberal, a Emmanuel Macron [Presidente francês], alguém que não tem feito outra coisa a não ser flexibilizar e apostar mais na precariedade como uma forma de trabalho”, criticou.

“Ao mesmo tempo, [Macron] tem, como toda a gente sabe, retirado ou baixado muito os impostos para as grandes fortunas. Isso é a antítese do que aconteceu em Portugal. A Europa aprendeu com Portugal. A aliança que António Costa está a construir para estas europeias é para um futuro diferente, mas muito distinto”, considerou.

Questionada pela pertinência do dia de reflexão, tendo em conta o alargamento do voto antecipado a todos os portugueses, Marisa Matias, à semelhança do que já tinha feito Catarina Martins, disse apenas que é uma mudança que deve ser avaliada.

Sempre preocupada com a abstenção, Marisa Matias lembrou que os eleitores que optem por não votar “estão a demitir-se de decidir as suas vidas em questões tão fundamentais como o acesso à saúde, educação, aos transportes”. “É sobre isso que vamos votar no próximo domingo”, vincou.