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Costa dois dias em Espanha para prémio e Cimeira do Clima

Deverá ser abordado o apoio de deputados municipais de Lisboa às críticas a Madrid pela situação na Catalunha que divide o socialismo ibérico.

António Costa e Pedro Sanchéz há um ano na cimeira luso-espanhola de Valladolid LUSA/NACHO GALLEGO

O primeiro-ministro vai estar entre domingo e segunda-feira em Espanha, primeiro em Bilbau, onde receberá da Fundação Ramón Rubial um prémio pela “Defesa dos valores socialistas”, depois em Madrid para participar na Cimeira Mundial do Clima (COP 25).

Neste domingo, em Bilbau, a entrega do prémio a António Costa, de acordo com o programa divulgado pela Fundação Ramón Rubial, está prevista para as 18 horas locais (17:00 em Lisboa), no auditório Mitxelena Bizkaia Aretoa da cidade basca.

Os prémios Ramón Rubial, que em 2019 vão na 13ª edição, pretendem galardoar anualmente personalidades e entidades que se distinguiram ao longo do ano em busca de valores como a liberdade, a democracia, a solidariedade e a tolerância.

Além de António Costa, na mesma sessão, receberá também um prémio pela “Defesa da democracia e liberdade” Nicolas Redondo Urbieta, dirigente histórico socialista basco, sindicalista - foi secretário-geral da UGT - antigo operário e resistente antifranquista.

A Fundação Ramón Rubial é uma das mais importantes fundações espanholas ligadas ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e que homenageia este histórico dirigente republicano que combateu na guerra civil espanhola.

Ramón Rubial foi capturado pelas tropas franquistas, esteve em vias de ser condenado à morte, mas acabou por fugir para França, onde esteve exilado até 1976. Faleceu em 1999, em Bilbau, aos 92 anos.

A presença do primeiro-ministro e secretário-geral do PS numa iniciativa dos socialistas espanhóis ocorre 48 horas depois do PSOE anunciar o envio de um protesto ao Largo do Rato pela aprovação, na Assembleia Municipal de Lisboa desta quinta-feira, de uma moção que condena “a repressão do povo catalão”. 

O texto, apresentado pelo deputado municipal comunista Modesto Navarro, exige, ainda, a libertação dos “presos políticos”, em alusão aos 12 condenados pelo Tribunal Supremo de Espanha por terem organizado um referendo ilegal sobre a autodeterminação de 1 de Outubro de 2017. Os socialistas espanhóis, segundo noticiou esta quinta-feira o diário El País, consideram que esta tomada de posição só é explicável pela “profunda ignorância” da realidade de Espanha, mas tal não os demoveu de apresentar o seu protesto junto aos companheiros de Lisboa.

Esta atitude pró-activa do PSOE, que já levou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, a desvincular a autarquia da votação da Assembleia Nacional, na qual diversos deputados socialistas votaram a favor, surge na sequência de uma ofensiva informativa das autoridades espanholas em diversas capitais europeias e da América Latina, onde a propaganda dos independentistas catalães tem sido intensa. Pelo que, em Bilbau, esta questão deverá ser abordada com o secretário-geral do PS.

Já no domingo à noite, na sua condição de primeiro-ministro, António Costa parte de Bilbau para Madrid, onde na segunda-feira participa na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP 25.

Em relação a esta conferência, na qual terá um papel de destaque o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o líder do executivo português advertiu que o combate às alterações climáticas exige “um compromisso de todos e não apenas de alguns” países.

Durante o último debate quinzenal, na Assembleia da República, na quarta-feira, o primeiro-ministro referiu que na última cimeira, em Marraquexe, em Marrocos, Portugal “foi o primeiro a assumir o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050”.

“Fomos também o primeiro país a definir um roteiro para o processo de transição da neutralidade carbónica. No plano nacional, até 2030, foi aumentada a exigência das metas que pretendemos atingir”, disse.

Face a estes planos em curso em Portugal, António Costa antecipou que se apresentará na cimeira de Madrid com o objectivo de que se obtenha “um compromisso de todos e não apenas um compromisso de alguns”.

“Os compromissos que já assumimos permitem-nos anunciar a antecipação do encerramento das centrais a carvão para 2021 e 2023. Continuamos a bater-nos para incrementar a maior produção de energia com base em renováveis”, sustentou.

Neste contexto, o primeiro-ministro fez uma alusão aos objectivos de aumento da eficiência energética, tendo em vista reduzir e emissão dos gases com efeito estufa e o aumento da intensidade do uso do transporte público.

“Temos de possuir um paradigma de mobilidade que não assente no consumo de combustíveis fósseis. Encaramos esta transição como uma grande oportunidade para também termos também maior crescimento económico em Portugal e no conjunto da Europa”, acrescentou.