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O canal de Ricardo (e companhia) é uma explosão de cultura geek

Ricardo Trindade começou a fazer vídeos para o YouTube em 2015. Desde essa altura, já alargou a equipa e construiu um canal que mais de 1500 subscritores procuram para o ouvir falar sobre tudo o que envolve cultura popular e geek.

ÉDI MIGUEL

Ricardo recebe-nos quase como se estivéssemos a entrar em sua casa — mas não estamos. Deste lado do ecrã, ouvimo-lo dizer que somos bem-vindos a um canal português que é “uma overdose de cultura geek”. O youtuber de 34 anos diz-nos que há várias razões para ficarmos: se gostamos de cinema, televisão, banda desenhada, super-heróis, unboxings, Harry Potter, Star Wars, Vingadores ou jogos de tabuleiro, existe na ZombiTV pelo menos um vídeo que vamos querer ver.

Porém, e como qualquer outra, esta história não começa no presente. Rebobinemos (sim, como aquelas cenas dos filmes) para uma altura em que Ricardo ainda não tinha entrado na adolescência e em que as rotinas eram quase sempre as mesmas. Um filme de cowboys ou qualquer outro dos anos 80 a reproduzir, Ricardo e o pai sentados no sofá. Às vezes era o dia todo, outras a noite inteira, em frente à televisão. Em algumas destas sessões de cinema, o pai deixava-se dormir e Ricardo acabava a ver “coisas” que até nem eram para a sua idade, filmes de terror ou com violência. Absorvia tudo o que a televisão tinha para lhe dar “às escondidas”, recorda.

As estantes de Ricardo Trindade no seu "altar" da cultura geek RICARDO TRINDADE
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Em 2015, num processo de mudanças de casa e de início da vida adulta, “chateou-se” com a televisão e começou a tirar proveito da colecção de filmes e séries, tudo original, que tinha acumulado ao longo dos anos. Ricardo só pensava: “Tenho tantos filmes aqui, coisas que às vezes ainda estão fechadas no plástico, vou ver pelo menos um ou dois por dia”, diz o jovem em conversa com o P3. E assim foi. Durante três anos foi esse o seu passatempo e o gosto do youtuber começou a evoluir para filmes “mais antigos” e “géneros específicos”.

“Foi aí que comecei a ir ao YouTube pesquisar canais que eram dedicados a estes temas e a interessar-me ainda mais por filmes de série B”, diz-nos. “E ao fim de anos a ver estes canais, liguei a televisão e comecei a ver a programação portuguesa. Não havia nada dedicado à cultura geek ou pop, conteúdo que já existiu no tempo do Curto Circuito, com o Fernando Alvim e o Rui Unas”, confessa.

Ricardo é da opinião que os programas culturais portugueses que hoje existem não estão a chegar ao público entre os 18 e os 35 anos. São “demasiado politicamente correctos” e “nada sinceros”. “Achei que conseguia fazer melhor com os poucos meios que tinha”, reforça.

O material para gravar já existia. Ricardo é freelancer e faz trabalhos em vídeo e fotografia. Além disso, formou-se em Design de Comunicação e Audiovisual, no Instituto Politécnico de Castelo Branco, cidade de onde é natural — não havia desculpas para não começar o canal. “Inicialmente, os episódios eram maiores, mas publicava com menos frequência. Falava de banda desenhada, de cinema, da minha colecção. Depois optei por fazer mais episódios por mês, mas cada um tinha uma temática específica”, conta o youtuber.

A ZombiTv existe desde 2015 RICARDO TRINDADE

Um altar à cultura geek

Aqueles tais filmes que Ricardo coleccionou ao longo dos anos têm agora um lugar especial no seu escritório — ou, como o youtuber lhe chama, o seu “altar à cultura geek”. Pelas paredes há posters de clássicos do cinema, bandas desenhadas raras emolduradas e frases que só alguém que goste de cinema reconheceria.

O local onde Ricardo grava os vídeos guarda alguns dos seus bens mais preciosos: há Pops ainda nas caixas, personagens como Darth Vader, Harry Potter, a Minnie e o Mickey, ou um Son Goku montado no seu dragão olham-nos empoleiradas nas prateleiras, como se estivessem a proteger a colecção de livros de banda desenhada e de literatura que estão ali a um palmo de distância.

Son Goku montado no seu dragão RICARDO TRINDADE

No cimo de uma estante que guarda jogos de tabuleiro e videojogos há um sinal em amarelo onde se lê ZombiTV — e é todo este cenário que vemos nos vídeos de Ricardo. Num dos últimos, por exemplo, o freelancer comenta o discurso de Ricky Gervais nos Globos de Ouro 2020. Noutros, analisa os últimos lançamentos do grande ecrã, como o Marriage Story, Star Wars: A Ascensão de Skywalker, ou 6 Underground. Mas não só de comentários vive o canal. Há tempo para discutir outros temas, sempre relacionados com a cultura geek, como o facto de o cinema estar a mudar o género das personagens dos comics ou a mudança da Comic Con Portugal do Porto para Lisboa.

De youtuber a solo para youtuber em equipa

Ricardo ainda não tinha produzido 15 vídeos quando o canal deixou de ser só seu. Transformou-se no “local” onde o primo Diogo Trindade também produz conteúdos sobre jogos de tabuleiro e tudo o que esteja relacionado com fantasia medieval — como as séries Game Of Thrones ou The Witcher, por exemplo. “O meu primo, além de enfermeiro, é beta tester de jogos de tabuleiros. Recebe os jogos antes de toda a gente, às vezes sem as imagens, para perceber como funcionam, se as jogadas fazem sentido”, refere Ricardo Trindade. “A paixão dele é essa e o nome dele aparece nos créditos de quase todos os jogos que estão no mercado”.

Ricardo continua a ser o único (para já) a fazer a edição dos vídeos, mas desde 2015 que tem mais mãos para o ajudar. A ZombiTV conta agora com três pessoas definitivas e cinco colaboradores e é uma espécie de fórum para qualquer pessoa que queira fazer vídeos sobre cultura alternativa. “Quem controla o conteúdo sou eu, mas há mais gente a fazer vídeos. O canal está aberto a qualquer pessoa. Quem quiser produzir conteúdos sem ter de criar uma plataforma pode enviar os vídeos que eu edito e publico”, sublinha o youtuber, acrescentando que a imagem tem de ter “o mínimo de qualidade”.

Com o crescimento da equipa, também a audiência aumento — com isso vieram outras responsabilidades e oportunidades. Com mais de 1600 pessoas na “plateia”, Ricardo já conseguiu parcerias fixas com marcas do ramo — como a editora Saída de Emergência, a Planeta, a G. Floy Studio (uma editora de banda desenhada), ou os cinemas NOS. É comum que a equipa receba produtos, como jogos ou livros, em troca de uma opinião “sempre honesta”.

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Mesmo admitindo que o canal não dá lucro “por causa das novas regras do YouTube”, Ricardo garante que a equipa continuará a produzir conteúdos, até porque “não existem muitos canais deste tipo no panorama digital português”. “Já que a televisão não oferece, o YouTube tenta. Se há uma ideia e uma mensagem a passar, e se o público pede e consome este tipo de conteúdos, só temos de tentar criar uma comunidade ainda maior”, refere o jovem. E a porta está sempre aberta para quem quiser juntar-se à equipa.