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Opinião

Viva Peter Oborne!

Ao verificar que muitos jornalistas – incluindo os colegas no Daily Mail – estavam a servir de porta-vozes informais do governo, Osborne demitiu-se.

Peter Oborne é um dos grandes jornalistas do nosso tempo – e um dos mais honestos, se é que se pode fazer essa distinção.

A honestidade leva sempre a sarilhos. A honestidade leva-nos sempre a prejudicarmo-nos a nós próprios. É um fraco consolo quando perdemos os nossos amigos e estamos desempregados poder dizer a quem nos queira ouvir “pelo menos disse sempre o que me ia na alma, sem rodeios nem paninhos quentes”.

Peter Oborne tinha uma magnífica coluna no Daily Mail onde vociferava – às vezes com a deselegância que é própria de quem desabafa ou diz o que ninguém quer ouvir – contra as falsidades e as hipocrisias da política britânica – e, sobretudo, dos políticos britânicos.

Ao verificar que muitos jornalistas – incluindo os colegas no Daily Mail – estavam a servir de porta-vozes informais do governo, Osborne demitiu-se. A coerência e a honestidade podem não ser sinónimos mas, quando uma pessoa é verdadeiramente honesta, confunde gloriosamente as duas coisas.

Oborne é um conservador – e é também o pesadelo vivo dos conservadores, desde a guerra do Iraque aos nossos dias. A mais recente iniciativa de Oborne é um site em que faz o levantamento das mentiras desse mentiroso-mor que é Boris Johnson.

Boris Johnson’s lies é um exemplo magnífico da nobre teimosia de Oborne. Enquanto for vivo e se indignar Oborne será sempre o espinho mais pontiagudo cravado no lombo dos poderosos que procuram activamente enganar os mais fracos.

É este o poder da Imprensa. Continua a ser o quarto poder. Mesmo quando é representado por uma só pessoa.