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Protestos contra subida do preço dos combustíveis alastram por todo o Irão

Dezenas de cidades iranianas tornaram-se palco de confrontos, cortes de estradas e incêndios. Pelo menos um manifestante morreu e vários ficaram feridos.

O aumento do preço em 50% e o racionamento do combustível, decretado na sexta-feira à noite pelo Governo iraniano, está a ser fortemente contestado nas ruas de várias cidades do Irão. Apesar de a maioria dos protestos ser pacífica, este sábado há registos de confrontos entre manifestantes e a polícia, para além de incêndios, barricadas e cortes de estradas. Pelo menos uma pessoa morreu e dezenas ficaram feridas.

A vítima mortal protestava em Sirjan – a cerca de 800 km a Sul da capital, Teerão – e terá perdido a vida durante um ataque de um grupo de manifestantes a um armazém de petróleo, ao qual as autoridades responderam com o lançamento de gás lacrimogéneo. Vídeos publicados nas redes sociais sugerem, no entanto, que foram disparados tiros nas duas frentes.

Citado pela Al-Jazira, Mohammad Mahmoudabadi, funcionário do Ministério do Interior, confirmou à agência de notícias ISNA que “infelizmente uma pessoa morreu”, mas sem revelar se as causas da morte estão relacionadas com a acção policial. 

“As forças de segurança tinham apenas autorização para disparar tiros de aviso”, revelou Mahmoudabadi, admitindo a existência de feridos, e lamentando que os protestos pacíficos em Sirjan tenham sido aproveitados por homens encapuzados e armados para cometer actos de vandalismo e violência.

A BBC relata que uma outra pessoa morreu, em Behbahan, a Oeste de Sirjan, mas as autoridades iranianas não a confirmaram.

Teerão, Kermanshah, Tabriz, Shiraz, Yazd, Boushehr, Sari, Abadan, Bandar Abbas, Birjand, Khoramshahr, Mahshahr são algumas das dezenas de cidades onde houve protestos neste sábado, alguns deles com registos de incêndios, ataques a edifícios públicos, confrontos e muitas palavras de ordem contra o Presidente Hassan Rohani.

De praticamente todas as localidades em protesto chegam às redes sociais e aos sites dos media internacionais imagens e vídeos de milhares de carros parados, bloqueando estradas, ruas e praças. A auto-estrada Imam Ali, um dos principais acessos à capital, foi tomada por condutores, que entre gritos contra Rohani, pediram à polícia para aderir à manifestação.

Nem a queda de neve em algumas destas cidades iranianas tirou os manifestantes da rua, naquele que é um dos maiores actos de protesto público no país desde as manifestações massivas de 2017 e 2018.

Apesar de ser um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo, o Irão não tem uma grande capacidade para o refinar. E com a reposição das sanções económicas dos Estados Unidos, motivadas pelo abandono da Administração Trump do acordo nuclear iraniano de 2015, e as tensões crescentes no Golfo Pérsico, a economia iraniana está em queda livre há vários meses.

O rial iraniano desvaloriza a cada dia, a inflação sobe em flecha e o investimento estrangeiro é cada vez mais reduzido. A opção do Governo foi reverter os subsídios para a aquisição de combustível e usar parte dessa poupança para apoiar famílias mais carenciadas e afectadas pelo aumento do preço dos bens de primeira necessidade – 18 milhões de famílias, segundo o executivo.

Segundo as restrições decretadas pelo Governo iraniano, cada consumidor tem direito a comprar mensalmente 60 litros de combustível a 15 mil riais por litro – cerca de 32 cêntimos, de acordo com a conversão indicada pelos principais sites especializados a meio da tarde deste sábado. E cada litro adicional custa-lhe 30 mil riais. Antes de sexta-feira os condutores no Irão podiam adquirir 250 litros a 10 mil riais o litro.