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Violência com armas nos EUA "é um problema de direitos humanos"

Relatório da Amnistia Internacional acusa o Governo norte-americano de "pôr a posse de armas à frente dos direitos humanos mais básicos".

Em 2016 morreram mais de 38.000 pessoas nos EUA com armas de fogo Reuters/© Adrees Latif / Reuters

A organização Amnistia Internacional considera que o uso de armas nos Estados Unidos, que provoca mais de 30 mil mortos por ano, deve ser encarado como um problema de direitos humanos e não apenas de saúde pública. Num relatório publicado esta quarta-feira, a organização sem fins lucrativos afirma que "todos os aspectos da vida americana foram comprometidos de uma forma ou de outra por um acesso às armas sem restrições".

"A capacidade que temos de viver as nossas vidas em segurança e com dignidade, livres do medo, é um dos pilares dos direitos humanos. Ninguém tem os seus direitos humanos assegurados enquanto os nossos líderes não fizerem nada sobre a violência com armas", diz Margaret Huang, directora da Amnistia Internacional nos Estados Unidos, num comunicado.

De acordo com os dados mais recentes, relativos a 2016, mais de 38 mil pessoas morreram e 116 mil ficaram feridas nos Estados Unidos com armas de fogo. Dois anos antes, em 2014, morreram 34 mil pessoas e 81 mil ficaram feridas.

"O Governo dos EUA põe a posse de armas à frente dos direitos humanos mais básicos", diz a Amnistia Internacional, que acusa também o Congresso do país de uma "assombrosa falta de vontade política para salvar vidas".

"Apesar do grande número de armas em circulação, e do número de pessoas mortas por armas todos os anos, há uma chocante falta de leis federais que poderiam salvar milhares de vidas", diz Margaret Huang.

No relatório, intitulado "Na linha de fogo: os direitos humanos e a crise de violência com armas nos EUA", a Amnistia Internacional propõe-se a pressionar as estruturas do Governo norte-americano para adoptarem medidas que abranjam todo o país, como a proibição da venda de armas semi-automáticas ou o reforço da verificação de registo criminal dos compradores pelos vendedores.

A discussão sobre a venda e o uso de armas nos Estados Unidos salta para a ordem do dia sempre que se regista um tiroteio com vários mortos, especialmente quando acontecem em escolas. Mas a Amnistia Internacional chama a atenção para os casos individuais, que acontecem todos os dias e afectam muito mais pessoas.

"Apesar de os tiroteios em massa terem profundos efeitos emocionais e psicológicos, e de poderem ser prevenidos por uma proibição de armas de assalto e de carregadores de alta capacidade, esses casos são responsáveis por menos de 1% das mortes com armas de fogo", diz o relatório. "Mais comuns e menos difundidos são os incidentes individuais, que permeiam a vida diária nas comunidades de todo o país."

Para além de tratar a violência com armas nos Estados Unidos como um problema de direitos humanos, a Amnistia Internacional vai lançar programas de sensibilização e iniciativas de pressão política em vários estados norte-americanos, começando pelo Ohio, Illinois e Michigan.