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RD Congo: surto de ébola já matou 231 crianças com menos de cinco anos

A segunda maior epidemia de sempre da doença já matou 1302 pessoas desde Agosto. Insegurança dificulta trabalho das equipas médicas.

Quase 80% das crianças com menos de cinco anos infectadas com o vírus do ébola no actual surto na República Democrática do Congo acabam por morrer, quando a taxa de mortalidade da doença entre os adultos é de pouco mais de metade.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), muitas dessas crianças não são levadas para os centros de tratamento montados para lidar com a doença, onde a mortalidade é mais baixa, sendo levados a centros de saúde comuns, que não estão apetrechados para enfrentar a epidemia, nem têm condições adequadas de isolamento.

“Poderá ser por causa do medo de estarem longe de casa e sem o apoio dos membros da família”, refere a organização. O vírus é transmitido pelo contacto com fluidos corporais infectados e os profissionais da saúde que trabalham fora dos hospitais públicos nem sempre seguem as directivas para evitar o contágio, refere o Ministério da Saúde congolês.

“Isso quer dizer que não mudam as luvas ou não usam luvas descartáveis ou, pura e simplesmente, nem luvas usam”, disse uma porta-voz do ministério, Jessica Ilunga, citada pela Reuters. “Não esterilizam o equipamento, não descontaminam as camas e não mudam os lençóis”, acrescentou.

Este que é o segundo maior surto da doença – uma espécie de febre hemorrágica que provoca a falência dos órgãos e tem uma elevada taxa de mortalidade – já matou 1312 pessoas desde 1 de Agosto, segundo a OMS, e o ritmo de novos casos não parece abrandar, o que está a preocupar as autoridades de saúde.

Segundo os números actualizados pela OMS esta quinta-feira, foram contabilizados 1954 casos de ébola, sendo 1860 confirmados e 94 prováveis, resultando em 1312 mortos (1218 confirmadas como sendo de pacientes contaminados pelo vírus).

Dos casos referidos, 300, ou 15% do total, são menores de cinco anos, cuja taxa mortalidade ronda os 77%, quando é de 57% nas crianças e jovens mais velhos e em média é de 67% entre todas as pessoas infectadas.

“É preciso trabalhar mais para reduzir o medo e a incompreensão em relação aos centros de tratamento do ébola e para ultrapassar outros obstáculos de acesso, com uma atenção especial neste grupo etário”, acrescentou a OMS.

O facto de o surto estar concentrado na província do Kivu do Norte, uma zona de conflito no leste da RD Congo, tem propiciado condições para o prolongamento da epidemia, até porque rebeldes armados que actuam na região têm atacado os centros de tratamento instalados na região.

No final de Abril, um médico camaronês da OMS, Richard Valery Mouzoko Kiboung, foi assassinado em Butembo, perto da fronteira com o Uganda, durante o ataque de um grupo armado não identificado ao centro de tratamento do ébola onde estava destacado.

Ainda esta quinta-feira, militares congoleses mataram 26 rebeldes das Forças Democráticas Aliadas (FDA), grupo que se suspeita ter ligações ao Daesh, perto da cidade de Beni, 44 km a norte de Butembo.

O porta-voz do exército, general Leon-Richard Kasonga, afirmou em Goma, capital provincial, que os rebeldes atacaram uma posição militar na aldeia de Ngite e os soldados ripostaram e depois perseguiram os rebeldes.

As FDA, que na sua origem eram um grupo extremista ugandês de inspiração salafita, actuam na zona da fronteira ugando-congolesa há mais de duas décadas.