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Senadores republicanos do Oregon fogem para não passar lei ambiental

Os republicanos sabiam de antemão que iam ser derrotados na votação de uma lei de redução de emissões de carbono e terão fugido para o estado vizinho do Idaho. Um dos senadores procurados pela polícia já avisou que o melhor é enviarem agentes “solteiros e bem armados”.

Congresso do Oregon. Os republicanos estão em minoria no Senado DP

Senadores estaduais do Oregon encontram-se a monte desde quinta-feira passada para não votarem uma lei ambiental. Procurados pela polícia, voltaram este domingo a faltar a uma sessão legislativa, impedindo que haja quórum para a votação e bloqueando os trabalhos do congresso estadual. E um dos senadores ameaçou mesmo a polícia de que os agentes serão recebidos a tiro se o tentarem prender.

A polícia estadual tem ordens para os localizar e deter. Medida urgente tendo em conta que a presente legislatura termina a 30 de Junho e os orçamentos têm de ser aprovados até lá. 

O Partido Democrata detém a maioria (18) no Senado de 30 eleitos, mas as sessões precisam de um quórum de 20 senadores. Sabendo de antemão que iam ser derrotados, os republicanos decidiram passar à clandestinidade porque, dizem, ser a única forma de fazer pressão política.

Em causa está um projecto-lei que impõe limites às emissões de carbono, incentivando as empresas a adoptarem tecnologias energéticas verdes. Até 2050, as emissões terão de ser reduzidas na ordem dos 80%, com base nos valores das emissões de 1990. Os preços dos combustíveis deveriam, diz a BBC, subir em consequência da aprovação da lei, o que afectaria sobretudo os agricultores do Oregon.

Os republicanos exigem que a lei seja submetida a uma votação alargada a todos os cidadãos do estado, porventura um referendo, e que não seja votada no órgão legislativo.

Os Estados Unidos emitem 5,1 milhões de quilotoneladas de CO2 por ano, segundo valores de 2015 referidos pela CNN. A França (0,3 milhões) demoraria, por exemplo, 15 anos a atingir o que o gigante norte-americano emite em apenas um ano. O país é um dos principais produtores de emissões de carbono do mundo. 

“Os cidadãos do Oregon merecem melhor. É tempo da maioria partidária considerar todos os cidadãos do Estado e não apenas os de Portland”, afirmou o líder dos republicanos no Senado, Herman Baerschiger Jr, em comunicado.

Por sua vez, os democratas teceram duras críticas aos fugitivos: “É absolutamente inaceitável que os republicanos no Senado virem as costas aos constituintes a quem têm a honra de representar neste edifício”, afirmou a governadora do Oregon, Kate Brown, democrata, em comunicado, pouco depois de ter ordenado à polícia estadual que os localizasse. “Têm de voltar e cumprir com o trabalho para o qual foram eleitos”, acrescentou.

É a segunda vez que os senadores abandonam uma votação para pressionar politicamente os seus rivais democratas. Na outra vez, há um mês, conseguiram concessões em relação a leis de armas e vacinas.

Há rumores de que os senadores estejam no estado vizinho do Idaho, segundo a BBC, onde a polícia do Oregon não tem jurisdição para os procurar ou deter. 

Um dos senadores, Brian Boquist, reagiu em tom de ameaça à ordem da governadora ao dizer a um canal de notícias local que o superintendente da polícia estadual deve “enviar [agentes] solteiros e bem armados”. “Não serei um prisioneiro político no estado do Oregon”, avisou Boquist.

A polícia estadual enfrenta ainda uma outra ameaça: as milícias nacionalistas prometeram proteger os senadores fugitivos se estes lhes pedirem, escoltando-os e dando-lhes refúgio.

O líder de um destes grupos, Paul Luhrs, do Oregon III%, garantiu no Facebook que a sua organização tinha “prometido providenciar a segurança, o transporte e o refúgio que os senadores precisarem”. “Chegou ao nosso conhecimento que quase todos os senadores estão em segurança no Idaho, sem qualquer hipótese de extradição”, afirmou.

Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca que as milícias nacionalistas cresceram e se multiplicaram significativamente. Estão activas na fronteira entre os EUA e o México, perseguindo e detendo imigrantes que tentem passar a fronteira sem autorização.