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Protestos voltam às ruas de Hong Kong após detenção de 29 manifestantes

Residentes temem que as tríades voltem a atacar civis nas manifestações deste domingo. No sábado, polícia utilizou gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar multidões.

No sábado, a polícia dispersou manifestantes com recurso a balas de borracha LUSA/JEROME FAVRE

Hong Kong prepara-se para mais um dia de protestos neste domingo, depois de na noite de sábado terem sido detidas 29 pessoas com idades entre os 17 e os 52 anos. As autoridades acusam estes manifestantes dos crimes de ajuntamento ilegal, posse de armas e ofensas à integridade física de polícias.

Os protestos pró-democracia estão na 12.ª semana. Os manifestantes vão ocupar o distrito de Tsuen Wan, um dos 18 que compõem Hong Kong. Esta área pode ser potencialmente problemática porque é considerado um território de implantação das tríades (a máfia chinesa) e nos bairros receia-se que estas intervenham, atacando manifestantes e fazendo aumentar o grau de violência nos protestos. 

A 22 de Julho, um grupo identificado como sendo das tríades agrediu indiscriminadamente passageiros numa estação de metro. A maioria das vítimas regressava a casa após uma manifestação contra o governo da região da China. Munidos com bastões e paus, os homens vestidos com T-shirts brancas e máscaras na cara provocaram vários feridos: mais de 45 pessoas foram hospitalizadas, uma em estado crítico. Os que presenciaram o ataque acusam as autoridades de nada terem feito para impedir as agressões.

Este sábado, a violência regressou aos protestos: a polícia recorreu ao gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, em resposta ao arremesso de bombas incendiárias e tijolos. Antes dos confrontos, tinha decorrido sem qualquer incidente uma marcha pacífica que assinalava a 12.ª semana de protestos. 

Um vídeo amplamente partilhado nas redes sociais mostra manifestantes mascarados a derrubarem uma das torres de reconhecimento facial instaladas na cidade.

As manifestações começaram em Junho, em oposição à proposta de lei da extradição, que permite a extradição de suspeitos para a China continental. Milhões de pessoas saíram às ruas contra o projecto de de lei (que foi entretanto suspenso mas não retirada) que dizem poder ser usada politicamente. 

Os protestos evoluíram ao longo das semanas e são agora pela preservação dos princípios democráticos em Hong Kong que, dizem os manifestantes, Pequim está apagar.