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Protestos violentos na Catalunha fazem 52 feridos

Manifestações pacíficas degeneraram em confrontos com a polícia, que diz ter sido alvo de cocktails Molotov. Líder do Governo catalão apela ao regresso à normalidade.

Manifestantes atearam fogo a veículos e lançaram cocktails Molotov contra a polícia na cidade espanhola de Barcelona, na madrugada desta quinta-feira, intensificando os tumultos provocados pela condenação a penas de prisão de líderes separatistas catalães.

As mais recentes divisões provocadas pela vontade de tornar a Catalunha independente de Espanha começaram em 2017 e reacenderam-se na segunda-feira, quando o Supremo Tribunal condenou nove políticos e activistas a um máximo de 13 anos de prisão.

As manifestações pacíficas de quarta-feira degeneraram ao anoitecer em confrontos com a polícia, levando o líder do governo regional, Quim Torra, a exigir um regresso imediato à normalidade.

“Condenamos a violência”, disse Torra num discurso através da televisão já depois da meia-noite. “Não podemos permitir que isto aconteça no nosso país.”

A polícia disse que os cocktails Molotov foram lançados contra os agentes. Em alguns lugares, a polícia investiu contra os manifestantes e disparou balas de borracha, disseram testemunhas à agência Reuters.

O presidente interino do Governo espanhol, Pedro Sánchez, disse que o seu Executivo agirá de forma firme e proporcional e em conjunto com outros partidos políticos.

“O povo catalão e toda a sociedade espanhola devem saber que o Governo está a admitir todos os cenários”, disse Sánchez numa entrevista colectiva em Madrid.

Acrescentou que o Governo criou uma comissão especial, incluindo a agência nacional de serviços secretos, para aconselhá-lo sobre como gerir a situação.

Sánchez vai liderar o seu Partido Socialista na segunda eleição deste ano, a 10 de Novembro, sob pressão de partidos da direita para ser mais duro com a Catalunha e assumir o controlo das forças de segurança da região.

“Sánchez deve impor a governação directa na Catalunha”, disse Albert Rivera, líder do partido liberal Ciudadanos.

"Fazer barulho”

Na quarta-feira, manifestantes bloquearam estradas e linhas de caminho-de-ferro. Torra uniu-se a uma marcha perto da fortaleza separatista da cidade de Girona, que mais tarde disse ser um exemplo da maneira correcta de protestar contra a decisão do tribunal.

Ao pôr-do-sol, vários milhares de pessoas, muitas delas jovens, reuniram-se numa ampla avenida no centro de Barcelona, ​​agitando bandeiras pró-independência e lançando papel higiénico ao ar.

À medida que a situação piorava, os serviços de emergência disseram que 52 pessoas foram tratadas no decorrer do dia por ferimentos sofridos em Barcelona e outras cidades da região.

Quatro pessoas foram detidas sem caução na quarta-feira por envolvimento em escaramuças na noite anterior.

Isaac Graña, um estudante de 18 anos, disse que os manifestantes queimaram contentores porque os protestos pacíficos desde 2012 não atingiram os seus objectivos.

“Fazer barulho é a única maneira de fazer as pessoas prestarem atenção”, disse. “Se Espanha fosse um Estado democrático, as pessoas não seriam presas por quererem votar”, acrescentou.

Desde que o antecessor de Torra, Carles Puigdemont, realizou um referendo proibido pelos tribunais espanhóis, a Catalunha começou a ser acompanhada de perto por outros países europeus onde também existem movimentos pela independência, como a Escócia.

Mais de 4000 empresas tiraram a sua sede da Catalunha, incluindo os bancos catalães CaixaBank e Banco Sabadell.

A ministra interina da Economia, Nadia Calvino, disse que o crescimento da quarta maior economia da Zona Euro teria sido ainda mais rápido se não fosse pelo impacto da luta pela independência na Catalunha.

A principal liga de futebol em Espanha pediu à Federação Espanhola de Futebol que adie uma partida agendada entre o FC Barcelona e o Real Madrid na capital espanhola, no dia 26 de Outubro, por causa dos protestos.

Espanha está agora a tentar pela terceira vez extraditar Puigdemont, que vive exilado na Bélgica. O Ministério Público belga disse na quarta-feira que recebeu o pedido e pode levar semanas para anunciar uma decisão.