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Assange fica na embaixada do Equador. Tem medo de ser preso pelos britânicos

Suécia abandonou processo contra fundador do WikiLeaks. Mas continua a recear ser extraditado para os EUA, que o querem julgar pela maior fuga de informação da história.

Julian Assange falou na varanda da embaixada do Equador em Londres Peter Nicholls/REUTERS

Os procuradores suecos que investigavam a acusação de violação contra Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, arquivaram o processo, encerrando uma batalha judicial que se arrastava há sete anos. Mas o australiano não vai sair ainda da embaixada do Equador em Londres. "A verdadeira guerra está apenas a começar", disse num breve discurso aos apoiantes e aos media, feito da varanda da embaixada.

Assange continua a recear ser preso pela polícia britânica e extraditado para os Estados Unidos, onde seria julgado por ter revelado informação classificada. A polícia prometeu fazê-lo, embora ele diga que tem direito a pedir asilo político. "É inevitável que haja uma investigação sobre esta terrível injustiça. Porque a realidade é que a detenção e extradição sem acusação tornou-se uma característica da União Europeia", declarou o editor do Wikileaks.

O Governo do Equador pediu a Londres para que garantisse passagem segura a Julian Assange. A primeira-ministra, Theresa May, respondeu que isso é um "assunto da polícia". 

Assange protagonizou uma das maiores fugas de informação da História dos EUA, ao divulgar mais de 252 mil telegramas de embaixadas norte-americanas em todo o mundo, que foram desviadas pelo militar Bradley Manning - agora Chelsea Manning. 

A procuradora-geral sueca, Marianne Ny, decidiu parar a investigação preliminar à suspeita de violação, lê-se no comunicado oficial, sem avançar grandes pormenores sobre os motivos dessa decisão. Menciona apenas "obstáculos". Assange, de 45 anos, está a viver na embaixada do Equador em Londres desde 2012, para evitar a extradição para a Suécia. Ele sempre alegou que existiam motivações políticas nas acusações de que era alvo e temia que a Suécia o extraditasse para os EUA.

"Hoje tive uma importante vitória", declarou Assange. "Mas esta semana tivemos uma vitória ainda mais importante, que foi a libertação de Chelsea Manning, após sete anos na prisão", recordou.Manning foi condenada a 35 anos, mas foi perdoada por Barack Obama, após sete anos de pena.

Chelsea Manning, quando ainda era Bradley Manning, foi a fonte dessa gigantesca fuga de informação do Departamento de Estado e de mais alguns ficheiros do Pentágono, que contrabandeou de uma base militar no Kuwait, onde estava colocado, num CD-ROM identificado com sendo de Madonna. 

Já refugiado na embaixada do Equador, Assange continuou a divulgar documentos secretos no Wikileaks, sempre gerando polémica - e por vezes teve problemas com os seus hospedeiros, que lhe cortaram o acesso à Internet em Outubro do ano passado, pouco tempo antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

Isto porque durante a campanha presidencial norte-americana, o WikiLeaks divulgou documentos com impacto para a candidata Hillary Clinton - que era secretária de Estado dos EUA quando ele divulgou os documentos que lhe foram entregues por Manning -, como os e-mails do seu director de campanha, John Podesta. Muitos sugeriram que o Wikileaks de Assange terá eventualmente sido o veículo de divulgação dos hackers russos, ou ligados ao Governo russo que se terão infiltrado nos servidores informáticos do Partido Democrata.

Depois de ser conhecida a decisão da Suécia, Assange fez um post no Twitter em que prometia vingança. "Detido sete anos sem acusação formada enquanto os meus filhos crescem sem mim e o meu nome é alvo de calúnias. Não me esqueço nem perdoo", escreveu o australiano.