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Presidente de câmara de cidade alemã demite-se depois de ameaças da extrema-direita

Martina Anderman, de 61 anos, eleita pelo SPD deixou o cargo invocando razões de saúde. Alternativa para a Alemanha tentou afastá-la em Outubro.

A extrema-direita tem ameaçado vários políticos na Alemanha, alguns deles estão sob protecção poilicial ALEXANDER BECHER/EPA

A presidente da Câmara de Arnsdorf, cidade do estado alemão da Saxónia (Leste), demitiu-se depois de meses a receber ameaças de grupos de extrema-direita. Martina Angermann, 61 anos, invocou motivos de saúde.

A ministra da Justiça, Christine Lambrecht, que tal como Angermann é do Partido Social Democrata (SPD), condenou as circunstâncias que levaram ao afastamento da responsável.

“Quando as pessoas deixam de poder estar junto da sua comunidade por causa de ameaças e de uma campanha continuada de insultos, a nossa democracia está em perigo”, disse a ministra, citada pela emissora alemã Deutsche Welle. “Estou solidária com a presidente da Câmara de Arnsdorf e com todos os que, todos os dias, dão o seu tempo à nossa sociedade.”

O partido de direita radical Alternativa para a Alemanha tinha tentado afastar Angermann em Outubro, segundo a rádio pública Mitteldeutscher Rundfunk. 

Angerman condenou, em 2016, um ataque de quatro homens contra um refugiado iraquiano com problemas mentais em Arnsdorf, que é perto de Dresden, e foi aí que começou a receber ameaças de morte e mensagens de ódio. Dresden é a cidade onde continuam a decorrer periodicamente manifestações do movimento Pegida, “contra a islamização da Alemanha”.

Vários políticos alemães foram nos últimos meses alvo de ameaças de morte e estão sob protecção policial, como Mike Mohering, da CDU, na Turíngia, ou Petra Köpping, do SPD, na Saxónia.

Um político da CDU, Walter Lübke, foi assassinado em Junho por um extremista neo-nazi. E também foi um extremista que em Outubro tentou levar a cabo um massacre numa sinagoga em Halle (Saxónia), matando duas pessoas.