Todos os artigos são redigidos segundo o português escrito em Portugal e não adoptam o novo Acordo Ortográfico.

Polícia tenta entrar na Universidade Politécnica enquanto incêndios deflagram na entrada do complexo

Centenas de manifestantes encontram-se barricados no edifício. Autoridades admitem ter de recorrer a “balas reais” para demover manifestantes.

Um dos manifestantes barricados na Universidade Reuters/TYRONE SIU

Não há sinal de tréguas em Hong Kong: a polícia de choque tentou entrar na Universidade Politécnica de Hong Kong, onde centenas de manifestantes pró-democracia se encontram barricados neste domingo. Nas redes sociais, são partilhadas imagens que mostram alguns incêndios no edifício, com fumo a poder ser visto no centro da cidade. Também no sábado, o campus da universidade tinha sido iluminado por grandes fogos. 

Ao nascer da manhã de segunda-feira em Hong Kong (mais oito horas do que em Portugal), os fogos à entrada da universidade tinham sido quase todos apagados, segundo a correspondente da Deutsche Welle, Phoebe Kong. No Twitter têm sido partilhados relatos de que muitos manifestantes estão a tentar abandonar o campus da universidade e regressar às suas residências, mas a polícia não os deixa abandonar o complexo. Um dos manifestantes mostra através de uma transmissão em directo que as autoridades estão a utilizar gás lacrimogéneo para impedir o avanço das pessoas. 

A polícia admite eventualmente recorrer a “balas reais” para demover os manifestantes que, este domingo, utilizaram armas improvisadas para resistir às autoridades que responderam com canhões de água e gás lacrimogéneo. Um agente foi ferido na perna por uma flecha. O presidente da Universidade Politécnica, Teng Jin-guang aparece num vídeo pré-gravado, garantindo que negociou com as autoridades uma suspensão temporária no uso de força, aconselhando os manifestantes a abandonarem o complexo de forma pacífica. 

Deixou claro, porém, que estas centenas de pessoas teriam obrigatoriamente de se entregar às autoridades, garantindo que o próprio acompanhará os manifestantes às esquadras, “de modo a garantir um julgamento justo”. As próximas horas poderão ser decisivas para perceber se os manifestantes permanecerão barricados na Universidade Politécnica de Hong Kong ou se os polícias conseguirão penetrar as barreiras. 

Os protestos duram há meses, mas nos últimos dias os manifestantes apostaram em tentar paralisar a cidade, mesmo durante a semana de trabalho – e não apenas ao fim-de-semana, como tem sido habitual até aqui.