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Polícia evita seis assassínios em massa nos EUA em duas semanas

Seis homens foram detidos por estarem a preparar ataques. Pelo menos quatro deles tinham como alvo minorias como judeus, negros, latinos, muçulmanos e pessoas LGBTI.

Vigília pelas vítimas do ataque de El Paso, um dos mais mortíferos nos EUA JOSE LUIS GONZALEZ/Reuters

Nas duas semanas desde que um extremista matou 22 pessoas em El Paso, no que foi considerado o mais mortífero ataque contra latinos na história moderna dos EUA, as autoridades detiveram seis homens por prepararem massacres semelhantes, diz o diário britânico The Guardian

Nos seus posts nas redes sociais e nos planos que teriam para massacres, os alvos eram judeus, negros, latinos, muçulmanos e pessoas LGBTI. A maior parte dos autores das ameaças eram jovens, brancos, com ideias racistas e de extrema-direita.

A revista Mother Jones faz uma contabilidade de quatro ataques evitados (não considerando dois dos casos posteriormente referidos pelo Guardian) e descreve também quatro destas ameaças que poderiam ter resultado em ataques em massa, todos por jovens brancos, fortemente armados.

Nos últimos dez meses, diz a Mother Jones, houve pelo menos seis ataques graves levados a cabo por pessoas com ideias de extrema-direita, incluindo o de El Paso, em que morreram 22 pessoas. Um agente especializado em ataques extremistas internos disse à revista: “isto está tão activo como já não via há muito tempo”.

Em vários casos, a informação que levou à detenção foi dada por pessoas próximas ou que suspeitaram de tentativas de compra de partes de armas. Ao Guardian, Cynthia Miller-Idriss, professora de sociologia na American University, em Washington, disse esperar que haja um efeito: “Se o público vir estas pessoas, que gostavam destes indivíduos e eram próximas deles, fazer o que está certo [e alertar as autoridades], penso que levará outros a fazer o mesmo.”

O primeiro caso de denúncia desta última vaga ocorreu a 8 de Agosto: Conor Climo, 23 anos, de Las Vegas, Nevada, foi preso por suspeitas de planear atacar judeus e um bar LGBTI. Tinha material para fazer uma bomba e várias armas, incluindo uma semiautomática. Comunicava com uma organização de supremacistas brancos em fóruns encriptados e ao FBI admitiu fazer parte de um grupo neonazi.

A 15 de Agosto, no Connecticut, Brandon Wagshol, 22 anos, foi detido depois de a polícia ter recebido informação de que estava a tentar comprar munições noutros estados (a polícia encontrou um colete à prova de bala na sua casa, várias armas e ainda munições para armas automáticas). Também tinha escrito no Facebook que estava a planear um ataque. Nas redes sociais, escreveu, entre outras coisas: “apoio os direitos dos transgénero em serem alguns dos primeiros nas câmaras de gás”.

Um dia mais tarde, em Daytona Beach, Florida, Tristan Scott Wix, 25 anos, foi detido depois de ameaçar a ex-namorada e lhe dizer que queria “bater o recorde da maior matança de sempre”, segundo uma das mensagens. “Umas boas cem mortes seria bom. Já tenho um local”, dizia outra. À polícia, Wix disse que era fascinado por assassínios em massa. Segundo a Mother Jones, a polícia encontrou no seu apartamento uma arma e 400 cartuchos de munições.

No dia 17, em New Middleton, Ohio, James P. Reardon, 20 anos, foi detido depois de ameaçar atacar um centro judaico local. Postou no Instagram um vídeo em que se apresentava como um atirador, dizia que era “nacionalista branco”, e no post fez referência à organização judaica. Na sua casa, a polícia encontrou várias metralhadoras, munições, um colete à prova de bala, uma máscara de gás, e propaganda anti-semita. Reardon identificava-se como supremacista branco, e esteve no encontro de extrema-direita em Charlottesville, Virgínia, há dois anos.

No dia 20, esta terça-feira, as autoridades anunciaram a prisão de Eric Lin, 35 nos, que tinha feito uma série de ameaças nas redes sociais contra latinos na zona de Miami, Florida: contra uma mulher hispânica e a sua família, em concreto. Em geral, elogiou Hitler e apelou ao extermínio dos hispânicos, muçulmanos e americanos negros. (Este caso não foi considerado pela revista Mother Jones na sua contabilidade de quatro ataques evitados, assim como o seguinte.)

No mesmo dia, em Memphis, Tennessee, Thomas Matthew McVicker, 38 anos, foi detido por ameaçar um assassínio em massa na cidade – o motivo não era, no entanto, claro. A mãe disse que tinha uma pistola semi-automática.