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Petroleiro iraniano já vai a caminho da Grécia

Gibraltar não aceitou mandado de captura apresentado pelos EUA, pois as sanções norte-americanas não são enquadradas pela lei da União Europeia.

O petroleiro agora chamado Adrian Darya 1 Jon Nazca/REUTERS

O petroleiro iraniano que os Estados Unidos apreendido por Gibraltar e que os EUA tentaram impedir de seguir caminho, com um mandado de captura, já está a navegar pelo Mediterrâneo, rumo à Grécia.

As autoridades de Gibraltar consideraram que não podiam aceder ao pedido dos Estados Unidos, por terem de cumprir a lei da União Europeia. “As sanções europeias contra o regime iraniano são fundamentalmente diferentes das dos EUA”, disse o governo de Gibraltar, um território administrado pelo Reino Unido. À acusação de que o navio é usado para traficar petróleo e outros bens pelos Guardas da Revolução, uma organização classificada pelos EUA como terrorista, Gibraltar respondeu que a União Europeia não a reconhece como tal.

Assim sendo, o petroleiro iraniano que se chamava Grace 1 irá a caminho de Kalamata, na Grécia, agora rebaptizado como Adrian Darya 1 e uma tripulação de marinheiros indianos e ucranianos, diz a Associated Press. Leva um carregamento de cerca de 2,1 milhões de barris de petróleo – que os EUA dizem ter como destino a Síria, o que violaria as sanções impostas pelos EUA contra o regime de Bashar al-Assad (o que o Irão nega).

A captura do petroleiro pela Marinha britânica a 4 de Julho, por suspeita de que transportasse petróleo para a Síria, em violação das sanções europeias contra o regime de Assad, desencadeou uma crise prolongada entre Teerão e o Ocidente. A 19 de Julho, os Guardas da Revolução apreenderam o petroleiro Stena Imperio, com pavilhão britânico, o estreito de Ormuz.

O impasse teria terminado com uma garantia do Irão a Gibraltar sobre o destino do navio, que não seria nenhum país sob sanções da União Europeia. Um porta-voz iraniano negou no entanto ter dado tal garantia. 

“A crise com o Reino Unido ainda não terminou. Londres tem a responsabilidade de lhe pôr fim”, declarou o deputado Heshmatollah Falahatpisheh, membro da comissão de Segurança e Negócios Estrangeiros do Parlamento de Teerão, citado pela Reuters.