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Partidos ecologistas tornam-se a segunda maior força na Suíça

Continua a existir uma maioria que faz da oposição à imigração o seu cavalo de batalha. Mas os efeitos das alterações climáticas no país dos Alpes criaram uma revolução política.

Natalie Imboden e Regula Rytz de Os Verdes, ao perceberem os bons resultados do seu partido PETER SCHNEIDER/EPA

Os dois partidos ecologistas suíços tiveram uma grande subida nas eleições de domingo, enquanto o Partido do Povo Suíço, de extrema-direita e anti-imigração, apesar de continuar a ser o mais votado, sofreu uma queda nas preferências dos eleitores.

O partido de extrema-direita, que conseguiu um número recorde de assentos parlamentares em 2015, ano da crise dos refugiados na Europa, teve 25,8% – menos 3,6 pontos percentuais que nesse ano. Os Verdes tiveram 13%, o que representa uma subida de 5,9 pontos em relação a 2015, e um outro partido mais centrista, o Partido Verde Liberal, teve 7,9% (mais 3,2 pontos).

Se se juntarem, os dois partidos ecologistas têm perto de 21% dos votos, tornando-se a segunda maior força no Parlamento – os sociais-democratas, que ficaram em segundo lugar, em termos absolutos, têm 16,8% (desceram dois pontos em relação a 2015).

Os dois partidos ganharam 26 lugares na Câmara Baixa do Parlamento, o que potencialmente lhes atribui um dos sete lugares no Governo (Conselho Federal). Os Verdes nunca tiveram direito a um assento no executivo, pelo que essa possibilidade consubstanciaria uma revolução na Suíça.

Em Dezembro, as duas câmaras do Parlamento vão eleger o Governo. E os Verdes mostram-se dispostos a lutar por lá estar. “A actual composição do Conselho Federal já não representa a situação política”, afirmou a líder dos Verdes Regula Rytz na televisão suíça.

 “Isto não é uma onda verde, é um tsunami, um furacão”, disse na rádio Celine Vara, vice-líder dos Verdes que foi eleita para a Câmara Alta do Parlamento pelo cantão de Neuchatel.

A Suíça está longe do mar e é especialmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas por causa das suas montanhas. Os gelos dos Alpes dão múltiplos sinais de não resistir à subida do termómetro – as temperaturas no país estão a aumentar duas vezes mais que a média global.