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ONU condena força excessiva de Israel e pede a Guterres mecanismo de protecção para Palestina

Resolução aprovada pela Assembleia Geral não tem força legal, mas tem peso político. EUA critica ausência de referências ao Hamas e acusa países que votaram a favor de fazer o jogo de uma organização terrorista.

Reuters/MIKE SEGAR

A Assembleia Geral das Nações Unidas condenou Israe pelo uso excessivo de força contra civis palestinianos e pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que recomende um "mecanismo internacional de protecção" dos territórios da Palestina ocupados por Israel.

A resolução foi aprovada na quarta-feira com 120 votos a favor, oito contra e 45 abstenções, tendo sido apresentada por iniciativa da Argélia, da Turquia e da representação da Palestina, depois de os EUA terem vetado, em Maio, uma proposta para investigar as mortes em Gaza e, em Junho, um texto semelhante no Conselho de Segurança, em que estão representados 15 países.

O texto condena o lançamento de rockets de Gaza para zonas civis em Israel, sem fazer qualquer menção ao Hamas, o grupo islamista que controla Gaza. Este tipo de resoluções não tem força legal, mas tem peso político. E para os EUA, a resolução em causa é sinónimo de colaboração com terroristas.

"A natureza desta resolução demonstra claramente que isto é um jogo político, que só vê um lado. Não faz qualquer referência aos terroristas do Hamas que de forma permanente estão na origem da violência em Gaza", sustentou a embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, antes da votação do texto. Os EUA ainda tentaram, mas não conseguiram, emendar o documento com a introdução de um parágrafo que condenava a violência do Hamas.

Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU REUTERS/Mike Segar

"Ao apoiar esta resolução, estão a colaborar com uma organização terrorista. Ao apoiar esta resolução, estão a dar poder ao Hamas", defendeu por seu lado o embaixador israelita junto da ONU, Danny Danon.

Danny Danon, representante de Israel REUTERS/Mike Segar

Mais de 120 palestinianos foram mortos por forças militares israelitas na fronteira da Faixa de Gaza desde 30 de Março, quando teve início o protesto que ficou conhecido como a Marcha do Retorno. O dia mais sangrento registou-se a 14 de Maio, o mesmo em que os EUA inauguraram a embaixada norte-americana em Jerusalém, cidade disputada por judeus e muçulmanos e que o Presidente Donald Trump declarou, de forma unilateral e em violação de um consenso internacional, como a capital de Israel.

Israel respondeu ao coro internacional de críticas com o argumento de que muitos dos mortos seriam militantes do Hamas e que o exército de Israel se limitiu a repelir ataques à fronteira do país na Faixa de Gaza. Washington, por outro lado, manteve-se a leste das críticas feitas por outros governos mundiais, salientando o direito dos israelitas na defesa do território. Pelo contrário, palestinianos e aliados garantem que Israel usou força excessiva e mortífera contra civis desarmados.

"Precisamos de protecção para a nossa população civil", sublinhou o representante palestiniano enviado à ONU, Riyad Mansour, quando se dirigiu à assembleia antes do período de votação do texto que, segundo o mesmo responsável, "pretende ser um contributo para controlar uma situação volátil".

Riyad Mansour, embaixador da Palestina REUTERS/Mike Segar

"Não podemos manter-nos em silêncio face aos crimes violentos e violações de direitos humanos que sistematicamente são cometidos contra o nosso povo", acrescentou Mansour.

A mesma resolução pede ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que num prazo de 60 dias apresente propostas para "garantir a segurança, a protecção e o bem-estar da população civil palestiniana que vive sob ocupação israelita, incluindo recomendações para um mecanismo internacional de protecção".

Em Dezembro de 2017, 128 países votaram a favor de uma outra resolução na Assembleia Geral da ONU que desafia o Presidente dos EUA; Donald Trump a recuar no reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e a manter Telavive com esse estatuto.