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Número de mortos em erupção vulcânica sobe para oito. Nova Zelândia importa pele humana para tratar sobreviventes

Há 27 pessoas internadas, a maioria em estado crítico. Autoridades neo-zelandesas vão importar 120 metros quadrados de pele humana dos Estados Unidos e da Austrália.

O números de vítimas mortais da erupção vulcânica de segunda-feira na ilha Branca da Nova Zelândia subiu para oito depois de duas vítimas com queimaduras graves terem morrido durante a noite em dois hospitais do país. Estas duas vítimas mais recentes estavam hospitalizadas no Hospital Middlemore, em Auckland​, e no Hospital Waikato, em Hamilton. A ilha onde ocorreu a erupção permanece coberta de cinza e “sem sinais de vida” das oito pessoas que continuam desaparecidas — a polícia presume que estejam mortas, mas não confirma oficialmente o óbito. 

Continuam hospitalizados 28 sobreviventes, a maioria com queimaduras em mais de 70% do corpo. As unidades de queimados de diversos hospitais no país estão esgotadas e as equipas cirúrgicas continuam a tratar dezenas de casos de queimaduras graves, algo que está a levar os profissionais clínicos neozelandeses até aos limites das suas capacidades.

De acordo com o jornal neo-zeolandês New Zeland Heraldas autoridades já decretaram a importação de 120 metros quadrados de pele humana dos Estados Unidos e da Austrália de modo a tratar os sobreviventes. A quantidade de pele necessária equivale à que resultaria de 60 doadores e, na Nova Zelândia, apenas cinco a 10 pessoas doam pele a cada ano (após a morte). Os cirurgiões continuam a trabalhar 24 horas por dia nas unidades de queimados de Middlemore (Auckland), Waikato, Hutt Valley (Wellington), Tauranga Base ​​e Christchurch.

Ao mesmo jornal, um dos médicos do Hospital de Waikato envolvido na operação afirma que está é uma das piores situações que já viu enquanto profissional. “É uma das coisas mais complicadas de se ver, porque sabemos que os pacientes estão com muitas dores e que irão estar a lutar pelas suas vidas durante as próximas semanas e, mesmo assim, poderão morrer”, disse John Bonning, que é também presidente do colégio australiano de medicina de emergência.

Jorge Villapalos, especialista em cirurgia plástica no Hospital de Chelsea e Westminster em Londres, no Reino Unido, disse à Reuters que os seus colegas na Nova Zelândia são líderes mundiais naquela especialidade. "Só consigo pensar neles a trabalhar num cenário extremo e a serem levados até aos limites das suas competências. Eu diria que os nossos colegas tiveram que lidar com o trabalho de um ano inteiro num único dia”, disse o médico, acrescentando que as vítimas estão a ser submetidas a “operações muito severas, radicais e demoradas”.

Neste tipo de situações, os hospitais recorrem a bancos de pele, onde os tecidos colhidos são guardados sob temperaturas negativas ou preservados com produtos químicos. “Esta pele existe. O desafio é fornecer esta quantidade num período tão curto de tempo, daí que eles possam precisar de mais de um banco de tecidos ou mais de uma empresa para fornecer este serviço”, referiu Villapalos, acrescentando que esta etapa será apenas o começo de um longo processo de recuperação para grande parte das vítimas.

A erupção vulcânica ocorreu às 14h11 de segunda-feira (mais 13 horas do que em Portugal) e expeliu detritos rochosos, cinzas e uma densa coluna de fumo a 3600 metros de altura.  

Das 47 pessoas que estavam na ilha no momento da erupção, com idades compreendidas entre 13 e 72 anos, 24 eram originárias da Austrália, nove dos Estados Unidos, cinco da Nova Zelândia, quatro da Alemanha, dois da China, dois do Reino Unido e uma da Malásia.

O vulcão Whakaari – o seu nome na língua do povo maori – é o vulcão mais activo da Nova Zelândia e quase 70% está debaixo de água (ou seja, apenas 30% se encontra visível), o que faz com que seja uma das maiores estruturas vulcânicas do país.