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Nacionalistas comemoram independência elogiando as raízes cristãs e criticando o liberalismo ocidental

“A nossa missão é apoiar tudo o que é um fundamento de nossa civilização cristã”, disse no domingo o líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski.

Dezenas de milhares de membros de grupos de extrema-direita marcharam esta segunda-feira em Varsóvia, para celebrar a independência da Polónia, um acontecimento anual que se tornou um foco de tensão entre nacionalistas e liberais.

Alguns manifestantes gritaram “Deus, honra, pátria!” e agitaram bandeiras polacas, vermelhas e brancas. Outros acenderam tochas, cobrindo partes da manifestação de um fumo vermelho espesso.

“Temos que voltar às nossas raízes. O nosso mundo abandonou Deus e o cristianismo”, disse Robert Bakiewicz, chefe do grupo organizador da marcha, aos que participaram no desfile nacionalista para celebrar o Dia da Independência. “Vamos acabar por morrer à medida que as nações da Europa Ocidental também forem morrendo”, disse.

A 11 de Novembro os polacos celebram o estabelecimento, em 1918, da sua segunda república, criada após a I Guerra Mundial a partir de territórios que tinham pertencido à Rússia, à Alemanha e à Áustria.

A polarização na Polónia foi crescendo desde que o partido nacionalista da Lei e Justiça (PiS) chegou ao poder, em 2015, pedindo o renascimento dos valores patrióticos e católicos na vida pública e a rejeição do modelo liberal ocidental.

Os críticos dizem que o PiS, que conseguiu um segundo mandato no Governo nas eleições de Outubro, com 44% dos votos, incentivou tacitamente os grupos com raízes nos movimentos fascistas e anti-semitas da década de 1930 que organizam a marcha, embora o partido o negue.

No ano passado, no centenário da independência da Polónia, responsáveis do Governo e o Presidente Andrzej Duda, um aliado do PiS, acompanharam à distância as celebrações que juntaram 200 mil pessoas e mantiveram-se afastados de tudo o que tivesse conotação nacionalista.

Este ano, o PiS organizou as seus próprias celebrações. E nas celebrações oficiais, presididas por Duda, houve uma parada militar.

“A nossa nação tem uma missão e deve cumpri-la”, disse no domingo o líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski. “A nossa missão é apoiar tudo o que é um fundamento de nossa civilização cristã. Vamos percorrer esse caminho e, se isto for feito de maneira ponderada, vai-nos levar à vitória”.

Em anos anteriores, surgiram na marcha nacionalista faixas com inscrições racistas, como "Sangue puro, mente clara” e “A Europa será branca ou desabitada”.

Antes do PiS chegar ao poder, os conflitos entre participantes e a polícia eram comuns. Nos últimos anos, porém, estes confrontos decresceram e aumentou o número de famílias participantes.