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Mais de metade da população mundial continuará sem acesso à saúde em 2030

Relatório da OMS fala em investimento público insuficiente para atingir a meta da cobertura universal em 2030.

Ines Fernandes

O objectivo de uma cobertura universal de cuidados de saúde tem data marcada, mas não deverá ser alcançado a tempo: em 2030, cinco mil milhões de pessoas poderão ainda estar privadas de acesso a cuidados de saúde, segundo estima a Organização Mundial de Saúde (OMS) num relatório conhecido neste domingo e que também foi elaborado com a OCDE e o Banco Mundial.

A OMS destaca o papel dos cuidados de saúde primários no caminho para uma cobertura universal de saúde, mas aponta o dedo à falta de investimento público no sector. Sem mais verbas para a saúde, mais de metade da população mundial pode vir a estar privada do acesso aos cuidados básicos no espaço de uma década, na sua maioria “pessoas pobres e desfavorecidas”.

As maiores falhas de cobertura estão nas áreas rurais, sendo referidos como principais obstáculos para alcançar uma cobertura universal a falta de infra-estruturas de saúde, a escassez de profissionais e a baixa qualidade dos cuidados prestados.

Num mundo que investe em saúde 6,8 mil milhões de euros, aumentar este valor em 5% poderia “salvar 60 milhões de vidas e aumentar a esperança de vida em 3,7 anos” até 2030, defende a OMS. 

O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, refere que, para que o objectivo da universalização do acesso à saúde seja garantido, as "pessoas não têm de pagar tudo dos seus próprios bolsos”.

Em Portugal, 18,4% da população gasta mais de um décimo dos seus rendimentos em despesas de saúde, existindo 3,3% de portugueses que gasta mesmo mais de um quarto dos seus rendimentos, refere a OMS.

Em todo o mundo, há cerca de 925 milhões de pessoas que gastam mais de 10% dos seus rendimentos em cuidados de saúde. O relatório diz também que hoje há mais pessoas a sofrerem consequências de pagar os serviços de saúde do próprio bolso do que há década e meia.

“É bastante chocante vermos crescer o número de pessoas que estão em risco de pobreza devido às despesas médicas”, disse Francesca Colombo, directora do departamento de saúde da OCDE, citada pela agência Reuters.

Este relatório foi conhecido na véspera da reunião "Universal Health Coverage” (cobertura universal de saúde),​ que decorre nesta segunda-feira na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. O encontro visa firmar um compromisso para que todos os países prestem uma cobertura universal de saúde até 2030, com o objectivo de garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade, bem como o acesso a medicamentos e vacinas seguras.