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Megaprotesto na Colômbia acaba com gás lacrimogénio e recolher obrigatório em Cali

Manifestantes receiam o fim do salário mínimo e do direito às pensões. E exigem que Ivan Duque melhore a vida dos cidadãos. “Ele já está no poder há um ano e ainda não fez nada”.

Dezenas de milhares de colombianos saíram à rua na quinta-feira contra um anunciado plano de reformas económicas e para acentuarem o descontentamento, crescente, com o governo do Presidente Ivan Duque. Na cidade de Cali, o protesto acabou com um recolher obrigatório a partir das sete da noite (madrugada em Portugal). 

Nas ruas foi pedido que seja mantido o salário mínimo e o direito universal à reforma, apesar de Duque ter dito várias vezes que não está a pensar introduzir essas alterações.

Alguns grupos de manifestantes insurgiram-se contra a falta de iniciativa do Governo para impedir o assassínio de centenas de defensores dos direitos humanos ou para travar a corrupção nas universidades. 

Duque disse várias vezes que não ia tolera violência – que tomou conta de protestos noutros países da América Latina, por exemplo no Chile e na Bolívia e a polícia disparou granadas de gás lacrimogéneo em várias cidades, incluindo na Praça Bolívar, em Bogotá, a capital.

Perto das 19h, 42 civis e 37 polícias tinham sido feridos, segundo o Ministério do Interior, e 36 pessoas detidas. Na capital marcharam perto de 270 mil pessoas, que dispersaram pacificamente no fim do protesto.

“A participação dos cidadãos foi muito positiva praticamente em todo o país”, disse a ministra do Interior, Nancy Patricia Gutierrez. “Houve uma série de incidentes isolados que foram controlados de forma apropriada pela polícia nacional.”

Em Cali, onde os manifestantes bloquearam e vandalizaram autocarros, o presidente da câmara declarou o recolher obrigatório até às 11h desta sexta-feira.

Em Bogotá os manifestantes também bloquearam estradas e provocaram estragos em 64 estações de transportes públicos. A polícia usou gás no subúrbio de Suba para impedir o bloqueio de uma estação.

À noite, manifestantes de cara tapada queimaram caixotes do lixo e lixeiras e impediram os bombeiros de chegarem ao local do incêndio. Por toda a cidade, houve gente a bater panelas, em apoio aos protestos.

“Gente de todos os sectores marcharam e espero que o nosso Presidente perceba que tem que garantir que há esperança para a juventude”, disse um pensionista de 65 anos e eleitor de Duque, Pablo Merchan. “Ele está no poder há mais de um ano e ainda não fez nada.”