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Irão exige “sinais positivos” para cumprir acordo nuclear

Hassan Rouhani diz que o Irão não pode cumprir o acordo “unilateralmente” e recebe o apoio de Putin.

Rouhani exige "sinais positivos" para manter-se no acordo nuclear MUKHTAR KHOLDORBEKOV / Reuters

O Irão avisou que irá continuar a abandonar os pressupostos do acordo nuclear assinado em 2015 se não vir “sinais positivos” por parte dos restantes signatários, disse o Presidente Hassan Rohani.

Em Maio, Teerão tinha dito que iria dar início ao enriquecimento de urânio, pondo definitivamente em causa o acordo alcançado em 2015 entre o Irão e outros seis países, com o objectivo de congelar o programa nuclear iraniano. Há um ano, o Presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu abandonar o acordo e, desde então, os restantes signatários têm tentado manter o Irão em cumprimento.

“Obviamente, o Irão não pode ficar agarrado a este acordo unilateralmente. É necessário que todos os lados contribuam para o restaurar”, afirmou Rohani, durante uma cimeira regional no Tajiquistão.

Rohani não referiu que “sinais positivos” pretende ver por parte dos restantes signatários do acordo (Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China). Desde que abandonaram o acordo, os EUA repuseram as sanções económicas contra o Irão.

O Presidente russo, Vladimir Putin, que também esteve presente na cimeira afirmou que “a única decisão sensata para todos os participantes no acordo é honrar os compromissos”.

As declarações do Presidente iraniano surgem numa altura em que a tensão regional atingiu um novo pico, depois de na quinta-feira dois petroleiros terem sido atacados no Golfo de Oman. Os EUA acusaram o Irão de estar por trás dos ataques – tal como aconteceu no mês passado noutro incidente semelhante – mas Teerão nega qualquer responsabilidade. Na sua intervenção, Rohani não se referiu à crise no Golfo.

Desde que Trump chegou à Casa Branca, Washington escolheu o Irão como um dos seus principais adversários geopolíticos. Os EUA acusam o regime iraniano de estar a produzir armamento nuclear – apesar de inspecções internacionais terem concluído que o Irão estava a respeitar o acordo – e querem o fim do que dizem ser as acções de desestabilização regional, especialmente no Iémen e na Síria.