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Coreia do Norte diz que vai desenvolver uma nova arma estratégica nuclear

O regime norte-coreano usou o complexo de Sohae, que tinha acordado desmantelar, para realizar um teste de “investigação científica de defesa” para “limitar e dominar a ameaça nuclear dos Estados Unidos”.

O líder norte-coreano Kim Jong-un a quem Donald Trump voltou a chamar "Rocket Man" Athit Perawongmetha/Reuters

A Coreia do Norte realizou este sábado mais um teste numa plataforma de lançamento de mísseis, o segundo em apenas uma semana, num momento em que as negociações de desnuclearização com os Estados Unidos foram interrompidas por Pyongyang. É mais uma prova de força com o objectivo de obrigar Washington a regressar à mesa das negociaçõesaté ao final do ano com uma nova relação de forças.

O teste teve como objectivo “limitar e dominar a ameaça nuclear dos Estados Unidos”, anunciou a agência de notícias norte-coreana KCNA, e foi levado a cabo no complexo de Sohae, que o regime norte-coreano prometeu aos EUA desmantelar. O Governo norte-coreano não avançou mais pormenores sobre o tipo de teste efectuado, se balístico ou de satélite, somente que tinha sido conduzida por um organismo de defesa. 

“A informação preciosa, a experiência e novas tecnologias conseguidas nos recentes testes de defesa vão ser totalmente aplicadas no desenvolvimento de outra arma estratégica da Coreia do Norte para restringir e dominar a ameaça nuclear dos Estados Unidos”, disse o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas norte-coreanas, Pak Jong Chon, citado pela KCNA. “A paz verdadeira só pode ser salvaguardada, bem como o nosso desenvolvimento e futuro garantidos quando o equilíbrio de poderes estiver completamente assegurado”, disse o general.

A Coreia do Norte tinha anunciado no fim-de-semana passado ter levado a cabo um lançamento de satélite bem-sucedido a 7 de Dezembro, no complexo de Sohae.

Pyongyang terminou as negociações sobre a desnuclearização da Península da Coreia acusando Washington de jogo diplomático para ganhar tempo até às eleições presidenciais de 2020 e deu um prazo para recomeçarem, desta vez sem jogos: 31 de Dezembro. E avisou que, caso não se regresse à mesa das negociações, vai seguir “um novo caminho”, retomando os programas nuclear e balístico de longa distância. 

Há meses que as negociações estão num impasse. Pyongyang quer o levantamento total das sanções a par e passo com a desnuclearização, enquanto Washington diz só levantar as sanções depois de a desnuclearização estar confirmada. 

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, parece apostar num regresso às negociações com uma nova relação de forças. “A Coreia do Norte está perto de fazer um ultimato aos Estados Unidos para regressar à mesa das negociações com novs cálculos ou volta a desenvolver armas nucleares”, disse à Reuters Koh Yu-hwan, professor na Universidade de Dongguk, em Seul. “É provável que o teste esteja relacionado com mísseis de longa distância, que a Coreia do Norte considera uma arma estratégica para se proteger”. 

O regime norte-coreano já realizou mais de uma dezena de testes desde Maio e o de 7 de Dezembro teve resposta directa do Presidente norte-americano, Donald Trump, criando ainda mais crispações num momento tão sensível. Trump voltou a chamar “Rocket Man” a Kim Jong-un e Pyongyang não gostou.

A primeira vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Choe Son Hui, foi citada pela agência de notícias norte-coreana chamando “tonto” ao chefe de Estado norte-americano. “Não é possível reprimir o descontentamento pelas declarações inapropriadas, feitas num momento sensível, pelo Presidente Trump”, disse.