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Corbyn preferia sair da UE, mas fará o que o Partido Trabalhista decidir

Manter a unidade do partido é a maior prioridade. Demissões e tentativas de traição animam congresso dos trabalhistas britânicos em Brighton.

"Não se pode parar um 'Brexit' tory com um 'Brexit' trabalhista", diz o cartaz ANDY RAIN/EPA

O líder trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, garantiu que seguirá a indicação do congresso do seu partido sobre o “Brexit”. Se for decidido que o Partido Trabalhista deve defender a permanência na União Europeia, nas eleições que se espera venham a ser convocadas ainda neste Outono, ele fará campanha por isso, embora acredite que “com o acordo certo, o Reino Unido estaria melhor fora da UE”.

Com o congresso do Partido Trabalhista a decorrer em Brigthon, Corbyn, que é instintivamente crítico da UE, manteve uma posição neutral, em entrevista ao programa de domingo de Andrew Marr, na BBC. Apesar das pressões que está a sofrer de alguns ministros “sombra” para apoiar a permanência do Reino Unido na UE – seja em eleições legislativas antecipadas, seja num novo referendo –, Corbyn manteve a ambiguidade. “Seguirei a decisão do partido, seja qual for”, afirmou.

Diz ponderar ainda a possibilidade de dar liberdade de voto aos deputados trabalhistas se o primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, obtiver um novo acordo com a União Europeia e submetê-lo para a aprovação dos deputados, embora reconheça que essa possibilidade é remota. “Espero que possamos votar juntos como um partido. É o que tenho tentado fazer durante todo este processo”, afirmou à BBC. 

Corbyn apelou mais uma vez aos militantes e dirigentes trabalhistas para não se esquecerem de que, apesar de muitos quererem permanecer na UE, continua a existir “uma minoria significativa” que está a favor da saída, e que ambas as partes devem ter a oportunidade de se expressar se houver um segundo referendo. 

Enquanto o congresso decorre, o Supremo Tribunal do Reino Unido deve divulgar a sua decisão sobre a suspensão do Parlamento decidida por Boris Johnson, depois de os tribunais superiores britânico e escocês se terem pronunciado em sentidos diferentes sobre esta questão. A decisão é esperada para o início da semana que agora começa. Se os 11 juízes considerarem que o primeiro-ministro induziu a rainha em erro, o Parlamento terá de ser reaberto.

As divisões no Partido Trabalhista, no entanto, estão ao rubro. Este sábado, demitiu-se Andrew Fisher, um assessor de Corbyn, considerado um dos arquitectos do programa eleitoral de 2017, que escreveu uma carta em que acusa o gabinete do líder trabalhista de “incompetência”.

Esta saída aconteceu um dia depois de ter falhado o que a imprensa britânica descreve como uma tentativa de afastar o vice-presidente do partido, Tom Watson, um acérrimo defensor da permanência do Reino Unido na UE. Segundo os estatutos partidários actuais, o vice é eleito independentemente do líder. E houve uma moção, que não chegou a ir votos, para abolir o cargo de vice-presidente, o que gerou enorme polémica.