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Opinião

Cartas ao director

Museu judaico


Em primeiro lugar quero afirmar que praticamente estou em acordo com o teor do artigo de Esther Mucznik sobre o tema em epígrafe, embora discorde em duas questões, que a meu ver não constituem pormenores.
1. Não concordo de modo algum com o termo "judeus Portugueses", pois em primeiro lugar são portugueses professando o credo judaico, como existem outros portugueses ateus, católicos, adventistas, hindus, muçulmanos , etc..
Não aceito que a fé, apenas dizendo respeito ao próprio e ao modo como a tem ou não tem. A nacionalidade vem primeiro, por nascimento, opção, casamento, etc.. Antepor o credo é já de si uma segregação que repudio.
2. Quanto ao local, Alfama, nada tenho comentar, mas rejeito liminarmente a substituição de prédios recuperáveis para habitação para outro destino que não aquele.

3. E faço uma sugestão ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa: Comece a planear um Museu dos portugueses de Alfama porque já são muito poucos os que lá vivem. Daqui a uns anos os turistas ficarão a saber como se vivia ali, naquele secular bairro da cidade de Lisboa, antes dos infames despejos, muitos fraudulentos.
João Eduardo Coutinho Duarte, Lisboa

Uma Luz, uma pequena Luz

Passámos várias noites sem conseguir adormecer, a pensar na obscuridade, na humidade, no medo da gruta. Não acreditámos, mas quisemos que eles sentissem um abraço deste nosso mundo, um mundo que de repente deixou de respirar à espera do milagre. As operações de salvamento ocuparam as notícias, ultrapassaram os futebóis nacionais e mundiais. Houve quem quisesse enviar geringonças novinhas em folha para retirar as criancinhas do buraco imundo. Já havia bilhetes para a final do Mundial à espera do grupo. À medida que se confirmava o sucesso da operação, começou-se a falar e a vender os benefícios da meditação. Louvou-se, e com toda a razão, o carácter do treinador.

Mas, quando tudo for esquecido, será que ainda nos vamos lembrar que o mais extraordinário foi simplesmente haver gente a salvar gente…

Paula Gonçalves, Lisboa

Esses queridos senhorios

A Associação lisbonense de proprietários está de candeias às avessas com Marcelo Rebelo de Sousa por este ter promulgado uma lei que suspende até Março de 2019 os despejos previstos para inquilinos com mais de 65 anos ou com incapacidade igual ou superior a 60%. 

Para os senhores proprietários lisbonenses (estas questões são problema exclusivo de Lisboa e Porto, mas só os de Lisboa deram sinal de si) o direito a despejar inquilinos é sagrado e muito superior ao direito à habitação que por acaso está previsto na Constituição.

Pretendem eles que o Provedor de Justiça envie o caso para o Tribunal Constitucional, que essa lei não trata os senhorios igualmente.

O Direito à Habitação, previsto na Constituição (e que só por si deveria implicar a não existência de arrendamentos a prazo) não é coisa que os incomode. 

Carlos Anjos, Lisboa