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França: debate marcado por embate entre Macron e Le Pen

Macron e Le Pen envolveram-se numa troca de argumentos sobre as políticas relacionadas com os muçulmanos presentes em França, e Fillon não escapou ao escândalo que abalou a sua candidatura.

LUSA/PATRICK KOVARIK / POOL

No debate televisivo entre os candidatos presidenciais franceses, que se realizou na noite desta segunda-feira, e que teve a duração de três horas e 20 minutos, destaca-se a intensa troca de argumentos entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen, os candidatos favoritos à vitória final segundo as sondagens.

O momento mais quente, num debate descrito como morno, surgiu quando a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, defendeu que a França deveria opor-se ao multiculturalismo, tendo sido acusada por Macron de criar inimigos dos muçulmanos no país. A discussão passou depois para o uso do chamado “burkini”, utilizado pelas mulheres muçulmanas, com Macron a argumentar que a sua utilização é “matéria de ordem pública” e não uma ameaça ao secularismo francês, tal como sugerido por Le Pen.

Mas o alvo de Macron não foi apenas a candidata da extrema-direita. Numa aparente referência ao escândalo que abalou a candidatura de François Fillon, e que levou à abertura de uma investigação formal sobre uso indevido de fundos públicos quando contratou a mulher como sua assistente parlamentar, o jovem candidato afirmou que a justiça vai prevalecer no caso “de certos candidatos presidenciais”. Fillon negou mais uma vez as acusações, garantindo que se manterá na corrida, e afirmou ser vítima de um “assassinato político”.

Mas Macron teve também de se desviar de ataques, particularmente quando o socialista Benoît Hamon questionou os financiamentos recebidos pelo candidato para a sua campanha eleitoral.

No que respeita à ameaça terrorista, Le Pen defendeu que, para evitar futuros ataques, é necessário recuperar o controlo das fronteiras, expulsar militantes identificados, banir organizações fundamentalistas, bem como encerrar mesquitas fundamentalistas. Fillon, por sua vez, argumentou que o combate ao terrorismo durará, pelo menos, uma década, sendo necessária uma aliança com a Rússia, Médio Oriente e outros, defendendo também a deportação daqueles com “relações comprovadas com o inimigo”. Macron diz que ninguém tem a capacidade de garantir que não existirão mais ataques no futuro, propondo responsabilidade e maturidade na questão, uma solução diplomática no Médio Oriente e o desenvolvimento da cooperação no que respeita à troca de informação entre países.

No próximo dia 23 de Abril realiza-se a primeira volta das eleições presidenciais. A segunda volta, que acontecerá se nenhum candidato reunir mais de 50% dos votos, terá lugar no dia 7 de Maio.