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Opinião

O “Brexit” inglês

Cada vez mais o “Brexit” de Johnson se torna um “Brexit” inglês feito à custa das três outras, mais pequenas, nações do Reino Unido.

No dia em que se preparava para uma vitória num Parlamento especialmente convocado para um sábado, Boris Johnson foi derrotado.

Teve de se ir embora, levando com ele os conservadores desiludidos e prometendo, numa birra autoritária e megalómana, que não iria pedir uma extensão à União Europeia, apesar de já ter prometido em tribunal que cumpriria a lei.

A emenda Letwin, tendo sido aprovada, é uma lei acabada de criar, com toda a força que uma lei democrática e constitucional pode ter. A reacção petulante de Johnson — que nem sequer teve a inteligência e o sangue-frio de dizer que iria reflectir sobre a nova situação — reforçou o desrespeito que já tinha demonstrado pela lei Benn, que o obriga a pedir uma extensão.

Johnson, instigado pelas manigâncias de Dominic Cummings, está a diabolizar a Câmara dos Comuns, apresentando-se como o patriota despachado e optimista (e brexiteiro) que se vê constantemente frustrado pelo Parlamento burocrático e assustadiço (e europeísta).

Notou-se também um péssimo ambiente entre Johnson e os deputados da DUP, ao ponto de ninguém se lembrar de dizer “tão aliados que nós éramos...”

Some-se a esse descalabro os insultos tremendos dos nacionalistas escoceses — assim como uma investida incaracterística dos nacionalistas galeses.

Cada vez mais o “Brexit” de Johnson se torna um “Brexit” inglês feito à custa das três outras, mais pequenas, nações do Reino Unido.

É perigoso este assomo nacionalista, vindo de um partido (e de uma nação) tradicionalmente condescendente e paternalista.