Todos os artigos são redigidos segundo o português escrito em Portugal e não adoptam o novo Acordo Ortográfico.

Daesh reinvidica autoria de ataque que matou pelo menos 63 pessoas no Afeganistão

A explosão fez mais de 200 feridos e aconteceu numa zona de Cabul onde vivem maioritariamente muçulmanos xiitas.

Um ataque à bomba durante um casamento em Cabul, no Afeganistão, na noite de sábado, matou pelo menos 63 pessoas e feriu mais de 200, de acordo com as autoridades no local. "Entre as vítimas contam-se mulheres e crianças”, afirmou o porta-voz do Ministério do Interior afegão, Nasrat Rahimi.

Neste domingo, o Daesh reivindicou o atentado, através de um comunicado. O grupo terrorista está presente no Afeganistão desde 2014 e tem feito atentados, muitos deles tendo como alvos a minoria xiita. De acordo com um comunicado, citado pelo Le Monde, o ataque foi levado a cabo por um bombista-suicida de origem paquistanesa, que tinha como alvo um encontro de xiitas. O mesmo comunicado avança que foi detonado um carro-bomba a seguir ao ataque, algo que não foi confirmado pelas autoridades.

A explosão aconteceu pelas 22h40 (19h10 em Lisboa), numa zona da cidade onde vivem maioritariamente muçulmanos xiitas. Alguns grupos de militantes sunitas (como os taliban e o Daesh) têm feito da minoria xiita alvos a abater no Afeganistão e Paquistão. 

Um dos convidados do casamento, Mohammad Farhag, contou à agência noticiosa francesa AFP que estava na zona das mulheres quando ouviu uma explosão enorme na área dos homens. “Toda a gente correu lá para fora, a gritar e a chorar”, disse à AFP. “Durante 20 minutos o local estava cheio de fumo. Quase toda a gente na secção dos homens estava morta ou ferida. Ainda agora, duas horas depois da explosão, estão a retirar corpos do local.”

Um empregado de mesa que estava a trabalhar na cerimónia, Sayed Agha Shah, disse à AFP que “toda a gente começou a correr” depois da explosão. “Vários dos nossos empregados estão mortos ou feridos”.

Taliban condenam

Um dos porta-vozes dos talibans apressou-se a negar qualquer implicação dos rebeldes no ataque que “condenam veementemente”: “Não há justificação para esta matança brutal e deliberada, com mulheres e crianças como alvos”, escreveu Zabiullah Mujaheed, porta-voz, numa mensagem enviada aos meios de comunicação.

O ataque deste sábado surge durante um período “crucial” de conversações entre os taliban e os EUA, tendo em vista uma solução para o fim da guerra no Afeganistão que se arrasta há 18 anos. Ambas as partes dizem ter-se aproximado cada vez mais de um acordo de paz depois de várias reuniões em Doha, capital do Qatar. 

Em cima da mesa está um possível acordo que leve à saída dos militares norte-americanos do Afeganistão. Em troca, os norte-americanos exigem, da parte dos taliban, um reforço do compromisso da manutenção da segurança e negociações de paz com o Governo afegão, apoiado pelos norte-americanos. O Governo de Cabul, no entanto, não participa nestas negociações. Os taliban recusam negociar com Cabul, porque consideram o executivo  “um fantoche” dos EUA.

Teme-se que o Afeganistão mergulhe numa nova guerra civil, após a saída das tropas norte-americanas. Permanecem até 14 mil soldados dos EUA no país, sobretudo em missões de treino das forças afegãs.

Na sexta-feira, Donald Trump escreveu no Twitter que “acabou uma reunião sobre o Afeganistão”, acrescentando que ambos os lados “procuram chegar a um acordo, se possível!”.

Presidente afegão acusa taliban

O Presidente afegão, Ashraf Ghani, disse, neste domingo, que os talibãs não se podiam isentar da culpa pelo atentado suicida “bárbaro” que matou 63 pessoas. “Os taliban não se podem absolver da culpa porque dão plataforma aos terroristas”, escreveu o Presidente no Twitter.

“Esta explosão é um sinal claro que os terroristas não podem ver os afegãos a expressar a sua felicidade. Não os podem forçar a vergar-se ao matá-los”, escreveu, no Twitter, o porta-voz do Governo afegão, Feroz Bashari.

O ataque deste sábado foi antecedido por um outro, na última quinta-feira numa mesquita do Paquistão, que matou o irmão do líder taliban Haibatullah Akhundzada – e que não foi reivindicado. Morreram quatro pessoas e pelo menos 20 ficaram feridas. Os talibãs disseram, no sábado, que a morte do irmão do seu líder não iria interferir nas conversações com os EUA, escreve a Reuters.

Os casamentos afegãos, com várias centenas de convidados – e onde os homens ficam em salas separadas das mulheres e crianças –, são um alvo preferencial para os terroristas. A 12 de Julho, pelo menos seis pessoas morreram e 14 ficaram feridas num ataque suicida numa cerimónia na província de Nangarhar, no leste do Afeganistão, reivindicado pelo Daesh, que tem uma presença crescente no país.

De acordo com a BBC, o último ataque à bomba aconteceu há pelo menos dez dias, junto a uma esquadra da polícia de Cabul, matando pelo menos 14 pessoas e ferindo quase 150. Este ataque foi reivindicado pelos taliban.