Todos os artigos são redigidos segundo o português escrito em Portugal e não adoptam o novo Acordo Ortográfico.

Acusações de assédio a menores não demove candidatura de Moore no Alabama

A eleição estadual para substituir Sessions no Senado é em Dezembro. O Partido Republicano está dividido: se o deixam cair, correm o risco de alienar um eleitorado a quem o establishment já pouco diz.

Roy Moore com a mulher, Kayla Marvin Gentry/Reuters

Os republicanos estão divididos sobre o que fazer com Roy Moore, o candidato ao lugar deixado vago no Senado por Jeff Sessions (que saiu para ser Attorney General, o equivalente a ministro da Justiça). Moore foi acusado de assediar adolescentes e há senadores do partido que querem que se retire da eleição, que tem lugar em Dezembro. Mas quanto mais Washington reage, mais apoios Moore consegue no seu estado, o Alabama.

Moore diz estar inocente d etodas as acusações e disse que se mantém na corrida. Por isso, na segunda-feira, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, defendeu que mesmo que Moore vença, deve ser expulso da câmara alta do Congresso. O senador Cory Gardner, do Colorado, que é presidente do Comité Nacional de Senadores Republicanos, falou também na expulsão. E Jeff Flake, do Arizona (que cumpre o seu último mandato), disse que se votasse na eleição para substituir Sessions apoiaria o candidato democrata Doug Jones, não Moore.

Porém, como explica o Politico, a liderança do Partido Republicano não foi tão rápida a descartar Roy Moore como foram alguns senadores. Há uma grande probabilidade de Moore vencer o lugar no Senado pelo Alabama que está a ser disputado e a liderança do partido não quer alienar os eleitores, que já mostraram estar bastante desligados da elite partidária  (a eleição de Donald Trump como Presidente é a prova disso).

Expulsar Moore se este for eleito significaria ignorar a vontade dos eleitores, com o potencial de o Partido Republicano ser penalizado nas eleições de 2018, quando tentará manter a maioria que agora detém no Senado e no Congresso. Além do mais, diz o Politico, essa decisão abriria um precedente grave pois Moore seria expulso por um motivo alheio à sua função de senador, já que não violou qualquer lei nem está a ser acusado de qualquer crime.

Nos bastidores desta decisão há uma querela pessoal. Moore há muito que defende que Mitch McConnell deve ser afastado da liderança da maioria republicana no Senado.

Muitos senadores têm-se mantido ao lado de Moore. Richard Shelby, que é do estado que vai a votos, disse ao AL.com que se Moore for eleito “tomará posse”. O vice-líder da maioria republicana no Senado, John Cornyn, do Texas, disse que cabe aos eleitores do Alabama fazerem o “julgamento final” sobre Roy Moore. 

A primeira denúncia contra o antigo juiz federal surgiu num artigo publicado na semana passada no jornal The Washington Post — em 1979, quanto Moore tinha 32 anos (agora tem 70), abordou Leigh Corfman, de 14 anos, de “forma imprópria”. Já tinha feito o mesmo a outras três adolescentes.

No domingo, Moore acusou o Post de publicar “notícias falsas” numa “tentativa desesperada de travar” a sua candidatura; garantiu que vai processar o jornal. Mas na segunda-feira apareceu outra denúncia: Beverly Young Nelson, agora com 56 anos, acusa-o de a ter assediado quando tinha 15 e 16 anos.

O candidato republicano que nem quer ouvir falar em desistir da candidatura também negou esta acusação: “É absolutamente falso. Nunca fiz nada do que ela diz. Nem sequer a conheço”.

Perante este impasse político, três jornais do Alabama consideraram em editoriais que Roy Moore “não tem condições para ser eleito”. “Ele não pode ser senador dos EUA. Mesmo que o seu partido e muitos dos seus simpatizantes ainda pensem que isso é possível, é impensável — para este estado e para este país”, escreveu o AL.com, um dos maiores e mais prestigiados jornais estaduais que considera que neste debate não importa se Moore é inocente ou culpado — “isso é matéria de tribunal que não deve ser decidida nas urnas. Quando escolhemos os nossos representantes, o carácter importa”.

Alguns republicanos estão a apelar à intervenção de Trump. O Presidente, porém, nada disse.