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Tsipras arrisca moção de censura por causa do acordo com a Macedónia

Em Skopje, o Presidente Gjorge Ivanov diz que não vai "apoiar um acordo tão nefasto".

O Presidente macedónio disse, nesta quarta-feira, que não apoiará a solução para um diferendo com 27 anos e que envolve o nome do país. O primeiro-ministro Alexis Tsipras e o homólogo macedónio, Zoran Zaev, acertaram que o pequeno país dos Balcãs se passe a chamar República da Macedónia do Norte. Na Grécia, Tsipras enfrenta uma possível moção de censura no Parlamento.

“A minha posição é final e não vou ceder à pressão, a chantagens ou ameaças. Não vou apoiar um acordo tão nefasto”, disse o Presidente macedónio, Gjorge Ivanov numa conferência de imprensa em Skopje, nesta quarta-feira. O chefe de Estado considera que as razões apontadas para justificar a mudança de nome do país – a possibilidade de uma candidatura à União Europeia e à Nato – não são suficientes para assinar um “acordo tão mau”.

Ivanov, apoiado pela oposição nacionalista VMRO-DPMNE, pode vetar o acordo. Mesmo sem o veto presidencial, o Governo precisará da aprovação de dois terços do parlamento, tarefa difícil sem o VMRO-DPMNE, que se opõe à mudança de nome. O acordo será ainda referendado pela população.

Em skopje, na Macedónia, também há desagrado pela solução acertada entre os primeiros-ministros grego e macedónio

Actualmente, o nome do território nas Nações Unidas é Antiga República Jugoslava da Macedónia. O nome da Macedónia tem sido objecto de discussão desde a independência da Macedónia, em 1991, depois da desintegração da Jugoslávia. Apesar de ser membro da ONU, a Antiga República Jugoslava da Macedónia não usava apenas o nome Macedónia, que é também o nome de uma região no Norte da Grécia em que se inclui a cidade de Salónica. Foi a partir dali que Alexandre, o Grande, terá iniciado a expansão do império no século IV a.C. e muitos gregos temiam que os macedónios tentavam apropriar-se da herança cultural inerente a essa história.

Na Grécia, o principal partido da oposição, Nova Democracia, ameaça com uma moção de censura contra o Governo de Tsipras. O partido espera pelo encerramento dos debates acerca das reformas no contexto do resgate económico grego, nesta quinta-feira, para avançar com a moção. Se for submetida, será a primeira ao Governo eleito em 2015. Kiriakos Mitsotakis, líder do Nova Democracia, disse que o acordo “é profundamente problemático” e que Tispras não tem autoridade para o assinar. 

“Estamos numa situação sem precedentes na história constitucional grega. Um primeiro-ministro sem um mandato parlamentar claro está disposto a comprometer o país a uma realidade que não será possível alterar”, argumenta Mitsotakis.

Tsipras crê que o entendimento sobre o nome da Macedónia irá melhorar a imagem internacional do país, transformando-o numa “potência” regional e num “pilar de estabilidade numa região profundamente ferida”, justificou o primeiro-ministro, nesta terça-feira.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, George Katrougkalos, desafiou os conservadores a apresentarem a moção de censura: “Se acreditam nisso [que o governo não tem legitimidade], têm os meios… de o questionar com uma moção de censura. Por que razão não o fazem?”, disse Katrougkalos à Skai TV.

Na terça-feira, os primeiros-ministros da Grécia e da Macedónia anunciaram um entendimento sobre o nome do território das balcãs. A designação passaria a ser República da Macedónia do Norte, uma solução aceite pelo líder do Governo de Skopje, Zoran Zaev.