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Opinião

A Theresa é o menos

A culpa do impasse é dos dois maiores partidos. O preço será tornarem-se em partidos menores.

A demissão (e as lágrimas) de Theresa May não nos dizem nada sobre Theresa May. O que nos dizem é que mais uma vez o “Brexit” deu cabo de uma dirigente do Partido Conservador.

Theresa May é menos competente do que David Cameron e não contava com uma coligação com os liberais. Mas foi teimosa, trabalhadora e aberta a acordos com outros partidos.

Mesmo assim não conseguiu resolver nada. A demissão dela deu-se depois de esgotar todas as possibilidades de conseguir apoio parlamentar para o acordo que fez com a União Europeia.

O fracasso dela é o fracasso do Partido Conservador e o fracasso do Partido Trabalhista: nem ou nem outro foram capazes de se definir como sendo claramente a favor ou contra o “Brexit”.

O próximo dirigente conservador — que deverá ser Boris Johnson — encontrará as mesmas demolidoras dificuldades. Se Boris Johnson tentar definir o partido como abertamente a favor do “Brexit” encontrará nos conservadores remainers a mesmíssima resistência que Theresa May encontrou nos conservadores brexiteiros.

A substituição de Theresa May não resolverá nada. O impasse fatal perante o “Brexit” está inscrito no Parlamento, preso à oposição entre o resultado do referendo e a representação parlamentar.

Um dos dois grandes partidos tem de se definir como remainer: terá de ser o Labour, não obstante Jeremy Corbyn. O partido conservador ganharia em definir-se como brexiteiro duro (no deal)fugindo ao acordo com a União Europeia.

A culpa do impasse é dos dois maiores partidos. O preço será tornarem-se em partidos menores.