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Zomato lança pagamentos pela app e soma “mais de um milhão de utilizadores em Portugal”

Funcionalidade está disponível para subscritores do nível Gold, garante descontos e estreia-se em 200 restaurantes. Depois de Lisboa, Porto e Algarve, a aplicação quer avançar para abarcar todas as regiões do país.

Zomato DR

Os “mais de 40 mil” subscritores da proposta Gold da Zomato, aplicação de restaurantes entre a rede social e sistema de reservas, têm uma nova vantagem: podem fazer o pagamento directo da conta através da app e com direito a descontos: em geral de 10/20%, mas que podem chegar aos 40%, garantiu o country manager da empresa, Miguel Alves Ribeiro, à Fugas. 

É uma espécie de fechar “o círculo de utilização da Zomato”, resume Ribeiro: os utilizadores “encontram o restaurante na Zomato, deixam a sua opinião, escrevem a sua review [avaliação], publicam fotografias, fazem a reserva e agora podem pagar”. 

A nova funcionalidade, já disponível em restaurantes de Lisboa e Porto, foi baptizada de Gold Specials. “Foi lançada sem promoção e no primeiro fim-de-semana teve logo 500 utilizadores”, diz o responsável. 

Actualmente, o sistema já tem cerca de 200 restaurantes envolvidos, mas é de esperar que “todos os restaurantes parceiros do Gold” (cerca de 1500) adiram aos pagamentos na app. “Até final de Fevereiro”, adianta, “deverão ser entre 450 e 500”.

O Frade de Lisboa é um dos restaurantes parceiros DR

Sendo os pagamentos digitais com uso do telemóvel uma tendência mundial, como a Zomato refere ter identificado, a empresa decidiu apostar com força neste sistema. Para já só com pagamento da conta após a refeição, mas poderá haver outras ideias, como a aquisição de refeições pré-pagas. Brevemente, a app dará sempre ao utilizador a informação de “quanto já poupou” ao usar o Gold Specials.

Na lista de restaurantes que aderiram à nova funcionalidade, incluem-se espaços como O Frade, Le Chat, El Clandestino, Aruki, Oficina da Carne ou Fenícios Castilho – estes em Lisboa; ou Miss Pavlova, Cantinho do Sushi, Salve Simpatia, Mundo, Casa de Pasto da Palmeira, K.O.B e Guilty by Olivier no Porto. 

No final da conta, o cliente confirma o pagamento na app e também pode acrescentar gorjeta digital. “No futuro, poderá haver mais funcionalidades, como contributos para instituições” ou outros. E como convencer os comensais a passarem a usar a Zomato para pagar a conta? “Pelo benefício, o cliente terá sempre desconto”, garante.

O nível Gold da Zomato é uma espécie de “clube exclusivo”, para o qual é preciso pagar para entrar (de 8 euros, por três visitas com benefícios, a 29 ou 49 euros, respectivamente para 6 ou 12 meses de uso ilimitado das ofertas dos parceiros. Os “benefícios” passam por sistemas 2x1 em comida e bebidas ou acesso a eventos exclusivos, que “vão voltar”, garante Ribeiro. Agora, os foodies poderão também optar por ter acesso aos descontos garantidos pelos restaurantes que aceitam o pagamento via app.

Um milhão e a crescer?

“Já temos mais de um milhão de utilizadores em Portugal e ainda há espaço para crescer”, garante Alves Ribeiro, referindo que o número se reporta a “utilizadores activos, que usam a plataforma pelo menos uma vez a cada três meses”.

Portugal tornou-se mesmo um “caso de sucesso” da app, presente em 24 países, sendo “o 2.º ou 3.ª em termos de taxa de penetração de mercado”. À frente só o país de origem da empresa, a Índia, e os Emirados Árabes Unidos. Portugal foi, aliás, o cavalo de Tróia para a Europa, servindo de “campo de testes a muitas ideias depois implementadas” globalmente. “Experimentávamos aqui, se funcionasse levávamos a outros países”, conta o responsável, também chefe do crescimento (head of growth)  da empresa na Europa. Exemplos disso: as “colecções Zomato” que foram desenhadas em Portugal ou menus exclusivos, além do próprio nível Gold que começou por cá. Até “os pagamentos estavam a ser falados há dois anos”, mas foi a Zomato portuguesa que “fez pressão para que acontecessem”.

Miguel Alves Ribeiro DR

Razões para tal impacto em Portugal, onde 25 mil restaurantes podem ser consultados na app, “do de esquina ao de topo"? Será um “conjunto de factores”, incluindo a “nossa paixão pela comida, tudo o que nós fazemos, fazemos à volta da mesa, isso ajuda bastante”. Mas também o facto de o mercado português aceitar “bem as tecnologias. É muito virado para o que é inovador, está sequioso de tecnologia”, diz Ribeiro. Os próprios restaurantes ter-se-ão apercebido de que a plataforma os ajudava a “identificar os seus clientes” e à promoção do “boca a boca digital”. “Já não basta ter uma montra e uma porta aberta, os restaurantes têm de comunicar”, diz Ribeiro.

O “momento” em que a empresa entrou em Portugal (há cinco anos e pouco) também ajudou: “Não havia ninguém a fazer o que fazemos, uma plataforma de descoberta de restaurantes”, diz. A concorrência mais próxima será The Fork (que por acaso integrou a portuguesa Best Tables, comprada pelo TripAdvisor, e onde Miguel Alves Ribeiro foi director de desenvolvimento). “Havia algumas plataformas que faziam coisas com restaurantes, mas nenhuma abrangendo tudo”, opina, “nenhuma rede social que falasse de restaurantes como nós”. Para mais, “o país estava a sair da crise, a querer sair mais à rua, a saber o que estava a acontecer, os sítios novos...”. 

Outros factores importantes: a explosão turística recente ("em Junho, 27% dos utilizadores eram estrangeiros”, quase o dobro dos dados registados pela Zomato no ano anterior) ou o facto de Lisboa e Porto estarem “mais melting pot: a interculturalidade também nos ajuda a crescer nesta plataforma”. Não em vão, há alguns dias estreou outra novidade à medida, a tradução automática dos textos de opinião. Meta para 2020: chegar ao final do ano com “um milhão e meio de utilizadores”.

 E como faz dinheiro a empresa em Portugal? Tendo duplicado os lucros no país no ano passado em relação a 2018 – segundo o country manager, que não quer divulgar valores , a Zomato vai buscar cerca de de “70%” dos ganhos aos anúncios, mas a empresa aposta no Gold para que este cresça até representar, “este ano”, 50% do bolo.

Para tal, quer apostar mais no Algarve, já disponível na plataforma, e em “aumentar a pegada geográfica”, isto é, avançar por todas as cidades e regiões de Portugal.