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Central Termoelétrica de Sines é a maior poluidora do país

Em Portugal, quase metade das emissões de gases com efeito de estufa chega do sector rodoviário e electricidade. O domínio do uso do carvão ainda é responsável por grande parte dos poluentes atmosféricos.

Associação apela à urgência do encerramento destas centrais e da sua substituição Pedro Cunha/Arquivo

A Central Termoeléctrica de Sines é a maior responsável pela poluição em Portugal. Os dados são relevados esta quinta-feira pela associação ambientalista Zero com base nos relatórios oficiais do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) relativos a 2015.

Em véspera da entrada em vigor do Acordo de Paris, a associação ambiental publicou um ranking das cinco empresas e sectores com mais emissões e conclui que é a EDP (que detém a exploração da Central Termoeléctrica de Sines) a empresa com mais emissões. Só a Central Termoeléctrica de Sines foi responsável por 13,5% das emissões de gases com efeitos de estuda (GEE).

Ranking elaborado pela Zero

1) EDP, Central Termoeléctrica de Sines: 13,5%
2) Tejo Energia, que gere a Central Termoeléctrica do Pego: 5,6%
3) Petrogal, Refinaria de Sines: 3,9%
4) Cimpor, Centro de Produção de Alhandra: 2%
5) TAP: 1,8%

Em segundo lugar surge novamente uma central termoeléctrica, a de Pego. A Zero sublinha que estas instalações têm mecanismos para remoção de grande parte de determinados poluentes atmosféricos, mas não o conseguem com as emissões de dióxido de carbono.

À TSF, o presidente da associação ambientalista ressalva que as centrais de Sines e do Pego não são eficazes na eliminação das emissões de dióxido de carbono, pelo que têm emissões quase três vezes superiores a uma central que use gás natural.

Francisco Ferreira critica ambas as centrais, mas insiste especialmente na de Sines da EDP “que é antiga e está ambientalmente ultrapassada”, diz. Tendo em conta o seu peso na poluição, os ambientalistas defendem, por isso, a substituição destas centrais por alternativas de ciclo combinado a gás natural e mais ecológicas.

Em terceiro lugar surge a refinaria de Sines, seguida da Cimpor, empresa da indústria cimenteira. Enquanto a Cimpor reduziu as emissões em 11,1% entre 2014 e 2015 devido, em grande parte, à crise no sector da construção, a refinaria de Sines aumentou 14,8%. A lista das cinco mais poluentes encerra com as emissões da companhia aérea TAP.

Transportes e electricidade responsáveis por 46%

A associação olhou também para os sectores através dos dados do último inventário de emissões de gases com efeito de estufa, entregue por Portugal à Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, relativo a 2014.

Sem surpresas, o transporte rodoviário surge como maior responsável pela emissão de poluentes, representando 23,5% da fatia de emissões. Segue-se a electricidade com 22,5%. Juntos, estes dois sectores são responsáveis por praticamente metade (46%) das emissões de gases com efeitos de estufa.

Na lista de sectores mais poluentes está também a indústria cimenteira (6,1%), os aterros (5,9%) e a fermentação entérica (ruminantes – 5,3%).

“Não deixa de ser pertinente – e esperamos que assim o faça – que se Portugal apostasse nas energias renováveis, nos veículos eléctricos, nos transportes colectivos, nós conseguimos reduzir em metade as nossas emissões”, nota Francisco Ferreira, em declarações à TSF.

“É a nossa enorme dependência de o transporte individual que nos leva a estas emissões demasiado significativas da parte do transporte rodoviário. Esse é, sem dúvida, um dos sectores prioritários e nós temos que agir o quanto antes”, sublinha.

“Temos de encontrar soluções, quer de penalização do uso do automóvel, quer em alternativas estruturantes à escala do ordenamento do território, mas eficazes e possíveis desde já, através dos transportes públicos”, avalia o ambientalista.

Central de Sines não é para fechar

Em reacções à TSF, Rui Teixeira, o administrador da EDP com a área de produção, contraria a associação e afasta a possibilidade de encerrar a Central Termoeléctrica de Sines, que diz ser a mais eficiente do país.