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Música 2020

Tame Impala: no topo do mundo, a moldar o mundo numa casa vazia

The Slow Rush, quarto álbum. Kevin Parker continua a olhar as estrelas.

Kevin Parker continua a olhar as estrelas, mas o seu universo tornou-se mais vasto Matt Sav

Na infância Kevin Parker sentia conforto em olhar o céu nocturno sobre Perth e constatar todas as noites que as constelações continuavam a ocupar o mesmo lugar na abóboda celeste. Essa criança nascida na cidade australiana isolada na costa ocidental da ilha continente há muito não existe, mas como que encontramos algo dela ao nos depararmos, em entrevista publicada na Rolling Stone, com a descrição da criação de The Slow Rush, o quarto álbum dos Tame Impala, com edição marcada para 14 de Fevereiro. Recolhido na mansão que habita em Los Angeles, fumo de marijuana a espiralar pelo ar enquanto ritmos de bateria em loop e sons de sintetizadores ecoavam pelo espaço, trabalhava até o dia raiar, imerso no seu universo — mas talvez observasse o céu estrelado de tempos a tempos.

Isso seria o que não mudou nele. Tudo o resto é hoje diferente dessa longínqua infância e daquilo que ele era em 2010, quando tinha 24 anos e os Tame Impala se estreavam com Innerspeaker, álbum que, com os seus sons saturados (a bateria e o baixo) e evanescentes (as guitarras e os sintetizadores), se revelou fundamental na vaga psych que marcou a década ali iniciada.

Daí para cá, Kevin Parker, nome destacado da cena australiana que nos ofereceu também os Pond ou os King Gizzard & The Lizard Wizard, foi fazendo um caminho singular, afastando-se daquelas raízes sem com elas cortar amarras. Se Lonerism (2012) foi expansão bem-sucedida de Innerspeaker, Currents (2015) foi o momento em que o criador de ambientes sonoros em forma de canção se transformou esteta habilíssimo no equilíbrio entre a ilusão do som orgânico e a miragem de sons sintéticos.

Através de canções como Let it Happen ou The Less I Know the Better, ascendia a figura abrangente e inescapável também no mainstream, com os seus Tame Impala erguidos a cabeças-de-cartaz em festivais e promovidos a banda de estádios.

Agora que The Slow Rush se aproxima, diríamos, voltando ao início, que tudo mudou mas há coisas que se mantêm iguais. Kevin, sozinho no seu mundo, a imaginar música atravessada impregnada de fantasia, criada em isolamento mas que procura pontos de contacto com o exterior. Música introspectiva e expansiva, e talvez assim o seja mais que nunca neste Slow Rush que foi antecedido de quatro singles, Borderline, It might be time, Lost in yesterday e Phostumous forgiveness. Ouvem-se traços de prog e R&B, de disco e de soft-rock, imaginam-se viagens space-rock para a era digital. Kevin Parker continua a olhar as estrelas, mas o seu universo tornou-se mais vasto. E a diferença é que, agora, todos querem saber a que soam as constelações que ele a passa a noite a observar. 

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