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O rio que passou na vida de Paulinho da Viola volta a correr em Portugal

Para celebrar 50 anos do álbum Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida, o cantor e compositor brasileiro Paulinho da Viola volta aos palcos nacionais em Maio: dia 27 no Porto e 29 em Lisboa.

Paulinho da Viola Eryck Machado

O cantor e compositor Paulinho da Viola, uma das mais destacadas figuras do samba carioca e da MPB, regressa a Portugal em finais de Maio, para dois concertos, anunciou a empresa promotora, a Yellow Noises. Antes de actuar em Paris, no La Cigale (a 4 de Junho), estará dia 27 de Maio no Porto, na Casa da Música, e dia 29 de Maio em Lisboa, no Tivoli BBVA (ambos às 21h30).

Embora não actue em Portugal há vários anos, Paulinho da Viola já soma vários espectáculos em solo nacional. Apresentou-se pela primeira vez ao vivo no Campo Pequeno, em 1981, numa das festas do extinto jornal Se7e, actuando posteriormente em Grândola, em 1999, por ocasião dos 25 anos do 25 de Abril; em Lisboa, no Teatro de São Luiz (em Maio de 1994); e, ainda em Lisboa, no relvado da Torre de Belém (em Junho de 2000), num espectáculo integrado nas festas da cidade, partilhando o palco com Dona Ivone Lara (1922-2018), figura mítica das escolas de samba, a dupla de chorões Zé da Velha & Silvério Pontes e o grupo cabo-verdiano Simentera.

Nascido no Rio, em 12 de Novembro de 1942, Paulinho da Viola (Paulo César Batista de Faria) celebra este ano meio século da edição de um álbum (o seu segundo a solo) muito marcante na sua carreira: Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida (1970). À canção que dá título ao disco, juntam-se muitas outras que o tornaram célebre no Brasil e fora dele: Argumento, Sem ela não vou, Sinal fechado, Dança da solidão ou Coisas do mundo, minha nega.

Dedicado exclusivamente à música desde 1963 (até então, trabalhava numa agência bancária), Paulinho da Viola integrou o conjunto Rosa de Ouro (com Anescar do Salgueiro, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho e Nelson Sargento) e depois o Voz do Morro, que juntou todos os integrantes do Rosa de Ouro a Oscar Bigode, Zé Cruz e Zé Ketti. No início da sua carreira, tocou ainda com algumas outras figuras de proa do samba carioca, como Cartola ou Candeia.

Desde que começou a gravar a solo, em 1968 (anos em que também assinou um disco de parceria com Elton Medeiros), Paulinho da Viola gravou principalmente para a Odeon (títulos como Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida, A Dança da Solidão, Nervos de Aço, Memórias Chorando, Memórias Cantando ou Zumbido), mas também para a Atlantic (A Toda Hora Rola Uma Estória e Prisma Luminoso) e a RCA (Eu Canto Samba, Bebadosamba). Os mais recentes títulos da sua discografia são Meu Tempo É Hoje (Biscoito Fino, 2003) e Acústico MTV (Sony BMG, 2007).