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Televisão 2020

Claire Danes: a heroína pós-11 de Setembro

Em Fevereiro, começa o fim de Carrie Mathison, o papel que mais anos ocupou a actriz de Romeu e Julieta e o novo rosto das narrativas americanas sobre o terrorismo.

Com 40 anos, Claire Danes fez cinema e televisão mas é esta que lhe dá identidade no grande público. Esta é a personagem que mais tempo carregou Rich Fury/Getty Images

A Segurança Nacional (Homeland) chega este ano ao fim e com ela um ciclo de narrativas norte-americanas televisivas mainstream do pós-11 de Setembro. Depois de uma década com Jack Bauer e 24, série tão viciante quanto conservadora, os deuses televisivos criaram a mulher — Carrie Mathison, agente problemática, matizada na sua doença bipolar ou paixão pelo inimigo e, como descreve a sua intérprete, “patriota”. Do contra-terrorismo primário em que todos os inimigos são muçulmanos e em que um só homem defende a liberdade americana à lei do waterboarding, a televisão mudou de canal para que o canal Showtime ganhasse uma camada de prestígio e Claire Danes recebesse dois Emmys de Melhor Actriz e a série fosse eleita o Melhor Drama. Transitaria de uma América sob o signo de Obama (o casal presidencial e Hillary Clinton pediam episódios antes de irem para o ar), dos drones e do estado de vigilância para a administração Trump em que a Rússia e a paranóia interna eram os novos fantasmas.

“Uma cena que resume a essência de Segurança Nacional é quando duas personagens têm crenças opostas e ambas têm razão”, resumiu recentemente a produtora Lesli Linka Glatter. “O tempo todo a série perguntou: ‘A América exagerou na reacção ao 11 de Setembro? Traímos os nossos valores? Fomos longe demais? Não sei se o mundo tem a resposta”, diz outro autor, Alex Gansa.

Não isenta de críticas pela representação dos muçulmanos, Segurança Nacional e 24 tiveram Presidentes paranóicos e Presidente aspiracionais, homens, mulheres e negros na Casa Branca, partilharam produtores (Howard Gordon e Alex Gansa) e foram além dos EUA ou do Médio Oriente — é entre a Rússia e o Afeganistão que Carrie, profissional, mãe e prisioneira torturada, vai acabar. Depois de saltitar entre a Alemanha, o Paquistão, Brooklyn a Casa Branca, a actriz nascida para o mundo na televisão com My So Called Life (1994) reaparece na fronteira russa e, nos novos episódios, reencontra-se com Mandy Patinkin (Saul) e com os taliban no Afeganistão. A Washington real continua muito mais alucinante e instável do que a ficção.

Com 40 anos, Claire Danes fez cinema e televisão mas é esta que lhe dá identidade no grande público. Esta é a personagem que mais tempo carregou e é, descreveu, “uma super-heroína” numa série que, chegada ao fim em 2020, já parece de outro tempo.

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