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Arquitectura 2020

Alejandro Aravena: os planos de betão do Pritzker chileno vão nascer frente ao Tejo

Na primeira semana de Fevereiro começam as demolições nos terrenos da EDP para dar lugar ao edifício projectado pelo Prémio Pritzker de 2016.

Na primeira semana de Fevereiro começam no Aterro da Boavista as demolições nos terrenos da EDP para dar lugar ao edifício projectado por Alejandro Aravena Nelson Garrido

Com projecto do arquitecto chileno Alejandro Aravena, as obras para a construção do novo edifício do complexo EDP, em Lisboa, vão começar este ano. Conhecido como Boavista II, vai ocupar as traseiras do edifício desenhado pelos irmãos Manuel e Francisco Aires Mateus na Avenida 24 de Julho, cuja capacidade “redentora” da frente reibeirinha foi este mês sublinhada com a atribuição do Prémio Secil. Na primeira semana de Fevereiro começam no Aterro da Boavista as primeiras demolições nos terrenos da EDP para dar lugar ao edifício projectado pelo Prémio Pritzker de 2016.

O novo edifício de Aravena é também constituído por dois blocos perpendiculares ao Tejo — a sua volumetria ficou definida pelo Plano de Pormenor do Aterro da Boavista —, ligeiramente mais baixos e largos. Como explicou ao Ípsilon António Mexia, líder da eléctrica portuguesa, o projecto do arquitecto chileno que também foi comissário-geral da 15ª. Bienal de Arquitectura de Veneza trabalha as relações com o que já lá está, mas também procura as suas singularidades. Betão cinzento por oposição ao betão branco, fachada opaca virada ao rio versus fachada de vidro protegida por um brise-soleil.

Mas como as relações estabelecidas são complexas, o edifício de Aravena há-de revelar também planos de vidro nas suas traseiras, viradas a norte, ou na sua pele menos pública. Todas as fachadas que desenham a nova praça da Boavista são constituídas por planos de betão, típicos do trabalho do arquitecto, com podemos ver no Centro de Inovação da Universidade Católica de Santiago do Chile (2014), aberturas que em Lisboa se estreitam acentuadamente e tomam a forma de frestas. Aqui, no meio do chão da cidade que ganha alguma inclinação, surge “um miradouro individual”, como descreve Mexia, que somos convidados a percorrer para descobrir a vista do Tejo.

“A arquitectura de qualidade é absolutamente decisiva para a qualidade das cidades. A qualidade da missão tem de estar ligada à qualidade do objecto em si”, diz Mexia. Sobre as razões que o levaram a convidar Aravena no ano em que ganhou o Pritzker, cita o trabalho mais conhecido do atelier Elemental à volta da habitação de baixo custo. Numa abordagem pragmática paradigma das arquitecturas que trabalham com poucos meios, Aravena propunha às populações construir apenas metade de uma casa — casas de banho, cozinhas, escadas, as partes mais difíceis —, lançando a estrutura onde se poderia encaixar uma futura ampliação. Esta linha de projectos colocou-o a caminho do Pritzker num mundo da arquitectura abalada pela crise.

Mesmo que a “metade” do complexo da EDP que desenhou para Lisboa esteja um longe do discurso da escassez de meios, um universo que tem sido associado ao sucesso da arquitectura portuguesa, o arquitecto chileno tem-se mantido uma voz desalinhada contra o supérfluo, algo a que também não é estranho, como tem dito, ter nascido num país abalado por terramotos.

Aos olhos de Mexia, o paralelepípedo tombado que esconde a entrada do edifício Boavista II é uma espécie de memória megalítica, pré-histórica. Numa cidade que nunca esqueceu 1755 é também possível vê-lo como uma ruína, um Memento mori da arquitectura, porque toda a arquitectura é mortal. 

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