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China identifica mais 17 pessoas com novo vírus e promete reforço do controlo no Ano Novo chinês

Número de casos sobe para 62. Comissão de Saúde de Pequim anuncia que vai ser reforçada a monitorização da doença durante o Ano Novo, a 25 de Janeiro, quando milhões de pessoas de pessoas viajam, potenciando a transmissão.

Estação de quarentena para passageiros provenientes da China no aeroporto Narita, em Tóquio JIJI PRESS/EPA

As autoridades chinesas anunciaram este domingo que identificaram mais 17 pessoas infectadas no centro do país com uma nova forma de pneumonia viral, que causou duas vítimas mortais e colocou outros países em alerta.

No total, 62 casos do novo coronavírus foram registados pela Comissão Municipal de Saúde de Wuhan, com 19 a receberem alta do hospital, enquanto dois homens na faixa dos 60 anos — um com graves condições preexistentes — morreram da doença. Pelo menos meia dúzia de países da Ásia adoptaram medidas excepcionais.

A Comissão Nacional de Saúde da China considerou este domingo que o surto deste novo tipo de coronavírus, denominado por ora 2019-nCoV, é “controlável”, diz a Reuters. Este é a primeira declaração deste organismo desde que o surto foi declarado, no fim de Dezembro. O comunicado anuncia que vai ser reforçada a monitorização da doença durante o Ano Novo Chinês - que acontece a 25 de Janeiro, e leva milhões de pessoas a viajar para celebrar a festa.

O caminho de transmissão deste novo vírus ainda não foi completamente delineado, sublinha esta autoridade de saúde chinesa, e a sua origem é desconhecida - a maioria dos casos parece estar relacionada com um mercado de marisco na cidade de Wuhan - na província de Hubei, onde se localiza a monumental barragem das Três Gargantas, no rio Yangtzé, a maior do mundo, que teve importantes impactos na ecologia da região. Este pode ser um factor a considerar porque um desequilíbrio ecológico pode estar na origem da passagem de uma doença animal para o homem.

Ainda não se sabe se a doença é transmissível entre humanos. Mas as autoridades de saúde chinesas disseram este domingo que alguns dos casos “não tinham um historial de contacto” com mercado de marisco que se acredita estar no centro do surto”, diz a AFP. Quanto mais pessoas forem infectadas, mais oportunidades terá o vírus de evoluir para o conseguir fazer.

Investigadores britânicos lançaram o alerta de que o número de pessoas infectadas com o vírus deverá ultrapassar o milhar de casos, sendo muito superior ao avançado pelas autoridades locais. Numa nota publicada na sexta-feira no site do Imperial College de Londres, cientistas Centro de Análise Global de Doenças Infecciosas, relacionado com a Organização Mundial de Saúde, apontavam que o número de pessoas infectadas na cidade chinesa provavelmente deverá ser muito superior, aplicando fórmulas conhecidas de epidemiologia. Estimam que a 12 de Janeiro deveriam existir 1723 casos em Wuhan.

O alerta de disseminação do vírus foi dado esta semana pela OMS, depois de os primeiros casos detectados fora da China terem sido conhecidos, na Tailândia e no Japão, com os três pacientes a terem visitado Wuhan recentemente.

A análise do genoma do novo coronavírus poderá ajudar a identificar a sua origem, e também dar pistas importantes para combater a infecção. O Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, a Academia Chinesa de Ciências e a Academia Chinesa de Ciências Médicas divulgaram os dados sobre os vírus de uma dezena de doentes foram tornados públicos e estão em vários sites de acesso aberto para os cientistas, entre os quais, a iniciativa GISAID que é uma base internacional especialmente dedicada ao vírus influenza e neste momento vários laboratórios internacionais estão a trabalhar na sequenciação do seu ADN.

Os casos de pneumonia viral alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, depois de uma investigação ter identificado a doença como um novo tipo de coronavírus, um tipo de vírus que causa infecções respiratórias em seres humanos e animais e são transmitidos através da tosse, espirros ou contacto físico. Dois novos tipos de coronavírus transmitidos directamente de animais para o homem causaram infecções violentas: a síndrome respiratória aguda grave (SARS), que matou cerca de 800 pessoas entre 2002 e 2003 e é proveniente de um vírus de furões, e a MERS, que surgiu na Arábia Saudita, que tem origem numa doença dos camelos.

Em resposta a estas informações, os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira que vão monitorizar os passageiros dos voos provenientes de Wuhan para nos aeroportos em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.